domingo, 17 de abril de 2011


O tempo, ou a falta dele, mantiveram-me em cativeiro. Ali preso no soalho do meu quarto. As folhas e a tinta olhavam-me com esgar, numa zombaria constante por me verem tão perdido que já nem escrever conseguia.

Demorei o meu tempo a tentar perceber o que se passava... Falta de imaginação? Alguma crise de suposto autor? Simplesmente uma amargura já tão demasiado pesada que erguer o braço para se escrever se tornava no maior dos meus obstáculos.

Mas ao fim de tanto tempo fui sobressaltado por uma vontade julgada já rendida e distante, e julgo que estou aqui novamente. Veremos quanto dura. Só espero que me ajude a dizer em silêncio tudo o que preciso de gritar!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Há tanto que pouco me dão...


Preciso de puxar um pouco ao sentimento. De desapertar o nó que foi dado na garganta. De soltar a voz nas palavras, numa espécie de desabafo, inaudível, apenas sonoro quando lido em voz alta.
No recanto do meu quarto, previamente criado e decorado para ser o meu canto especial em casa, encontro-me comigo e com o meu coração, aquele que devia estar machucado mas que eu insisto em sarar colocando constantemente pensos rápidos para não ter de enfrentar a dor. Deixá-lo quebrar porque se sente só? Para quê? Não preciso de sofrimento quando já pouca alegria possuo. Tristeza…
Sinto a luz ténue percorrer o meu corpo, vejo as sombras criadas no caderno pela minha mão que incansável escreve para não arrefecer o meu pensamento que fervilha numa inquietude penetrante e angustiante.
Como é possível estar tão rodeado e ao mesmo tempo estar tão despojado? Que pretendem de mim aqueles que chegam de mãos cheias de nada e de falsas promessas? Escuto. A minha respiração, o cortinado roçar a janela provocado pela brisa fraca que toma de assalto o arrepio da pele. Escuto. O movimento na rua, os candeeiros que agora iluminam a noite que chegou mais cedo. A lágrima que percorre o meu rosto… O sabor acre da solidão.
Que vem aí? Quando chegará até mim?
Quero entregar-me, quero ser eu, quero se aconchegado. Mas o carinho não chega, o abraço fica longe, e só ter uma amizade não é suficiente.
Sinto-me egoísta! Sinto-me amarrado a um egoísmo idiota e arrogante por me deixar ir abaixo, por me sentir só e estar cansado de ter apenas um vislumbre do que preciso, agora!
Não quero mais brincar. Não quero mais que tenha de ser tudo tão complexo e complicado. Não quero mais ser somente eu. Preciso de um sorriso, sincero. De uma mão dada, quando o meu mundo ruir. De um olhar em segredo, para me aconchegar. De um afecto a dois, de uma compreensão, de mais do que um amigo. Estarei a ser pretensioso ao pedir demais? Como, se há tanto que pouco me dão…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ansiedade


Ansiedade. Feroz e inquietante.
Ansiedade. Mordaz e autoritária.
Ansiedade!
Estado de espírito inquieto e que me tira o sono, pesadelo noctívago que me ataca sem piedade, mente que fervilha velozmente perdida entre mil e um pensamentos. Ansiedade. O batimento cardíaco acelerado, a pulsação que corre sem parar, os olhos abertos, cansados, como se esperassem uma qualquer reacção. Esgotado.
O corpo treme, a voz falha, tudo geme.
Os sonhos reinam num reino mal governado, a salvação que tarda em não chegar, e aí, a ansiedade. Sofrimento de quem espera o que não sabe se há-de vir, impaciência.
A alma que se embrulha no fervor desta emoção, a saliva acre de cinzas passadas, pesadas, na língua. O odor carregado que esgota o ar e que me sufoca incessantemente. O espaço que se torna demasiado claustrofóbico e pequeno para o meu ser rendido à esquizofrenia de tentar raciocinar.
Ansiedade?
As crenças vacilantes, os receios, as questões por deslindar. O anseio.
As dúvidas existenciais, a personalidade posta à prova num torneio sem regras ou arbitragem corrupta. O chão que se desfia debaixo dos meus pés, o abismo constante de quem cai, cego, sem tacto. As certezas que nunca são certas, o positivismo ao qual se tenta agarrar com afinco.
Rasgo o tecido que me cobre. De tesoura na mão, corto cada linha que une os trapos que uso para me proteger do frio que nem existe. Despido, nu, intocável. Assim entregue à mercê de quem quiser chegar, de quem quiser esticar a mão, ao desaconchego de uma outra insónia. Uma esmola que não bate no chapéu, uma melodia que ficou presa no acordeão.
Ansiedade… Que me ataca e apedreja numa espécie de batalha que não escolhi fazer parte, numa guerra em que apenas quero paz.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Já não...


Já não me imagino.
Já não sonho como outrora.
Já não sinto o meu odor, o paladar das minhas lágrimas que secaram.
Já não há nada, um vazio dentro de um todo que não consigo tocar.
Onde estou? Perdido dentro de mim. Baralhado neste ventre que eu próprio criei. Iludido? Ludibriado? Confuso… Supostamente um encontro comigo mesmo, um vislumbro de uma luz julgada extinta. Mas nada. Nada surge escrito no meu livro e prossigo descalço, novamente.
Já não é hora?
Já não é hora de por um momento algo estar resolvido?
Pode parecer que estou livre, mas continuo preso a esta teia pegajosa de dúvidas e insatisfações. De mágoas e contradições. De becos sem saídas e estradas sem sentido. Onde?
Onde sou?
Onde faço?
Onde quero?
O que quero? O que faço? O que sou? O quê, onde?
Já não… Já não encaixo as palavras no meu raciocínio, que quebrado já quase não existe. Já não encontro o que perdi, nem chego a perder porque nada há por despegar. Já não sinto a dor, a cruel e violenta.
Já não…
Hoje.
Quem sabe amanhã…

domingo, 20 de setembro de 2009

Montanha-Russa


Começo por dizer que a vida é realmente tramada! Uma verdadeira montanha russa carregada de loopings, voltas, quedas e subidas que nos deixa muitas vezes enjoados e desnorteados. Será que não podemos estar isentos de curvas de 180 graus? Será que não existem linhas rectas sem obstáculos? Será que não existe uma segurança 100% fiável? Será sempre assim, bem sei.
Após iniciar este último quadrimestre do ano, apercebo-me de que talvez este ano de depressões e precipícios constantes não tenha sido somente um mau ano. Tento encarar a realidade por outro ponto de vista e apercebo-me de que esta fase pode também ter sido uma etapa de amadurecimento, de crescimento, de assimilar o adulto que sou hoje. Para trás ficou a minha personagem de criança, os sonhos e fantasias constantes, os medos, as pequenas vitórias.
Hoje o que faço tem uma repercussão diferente e é hora de saber viver com o que construí e continuo a construir para mim. Não posso permanecer sentado no chão do meu quarto a chorar uma tristeza vã por a vida não ser exactamente como esperava que fosse. É altura de limpar o pó acumulado e sair porta fora. Um dia de cada vez, com delicadeza, vou encarar o sol que brilha lá fora e dar a volta por cima! Este parque de diversões pode ser matreiro e tentar conduzir-me, mas eu serei mais astuto e a partir de agora serei eu o comandante do meu próprio navio!
Sei que lá fora ainda posso voltar a ser arquitecto dos meus próprios projectos e ser ainda o construtor dos mesmos! Só preciso de prosseguir viagem com esta força de vontade e tentar não cair se algum buraco surgir. Só tenho de aprender a aceitar-me, porque no fundo, não posso amar ninguém enquanto não me amar e não conseguir viver comigo mesmo!

domingo, 6 de setembro de 2009

Depois da Tempestade vem a Bonança


Será possível acreditar na teoria do "depois da tempestade vem a bonança"? É realmente verdade que após um período controverso e difícil em que o céu está constantemente enublado, finalmente o sol começa a rasgar os cinzas que pintam o tecto, para começar a iluminar um espaço escuro e de breu? Bem sei que me repito na muleta que uso agora aqui neste texto, mas quando os pontos de vista mudam, é bom mostrar que conseguimos ver os acontecimentos com outros olhos! Acho que começo a acreditar que sim, que tudo tem uma finalidade e que nada é por acaso.
É realmente necessário passarmos por períodos de dor e abismo próximo, para aprendermos a dar valor aos valores que de facto têm importância nas nossas vidas. É preciso os obstáculos para existir uma vitória real, desejada, merecida! De que nos serve adquirir as coisas sem esforço? Temos de aprender a saboreá-las e a vida encarrega-se de nos oferecer essa missão!
É bom chegar ao fim do dia cansado, derrotado até, mas com a consciência de que demos o nosso melhor e lutamos, uma vez mais! É óptimo depois de nos sentirmos partícula de pó, suja e vazia, começarmos a ver que afinal somos tão grandiosos como um Taj-Mahal, ou como a maior história de amor de todos os tempos! Entendermos que onde há ausência de cor hoje, pode existir um pantone repleto de cores, amanhã! O importante nesses momentos é não desistir e tentarmos preenchermo-nos do melhor que ainda temos na vida! Das pessoas, dos sentimentos, das pequenas coisas que ainda nos dão alegria. De sorrisos, de confortos, de esperanças!
O essencial nesta caminhada por vezes tão penosa é sabermos respeitar o curso natural da vida. Darmos tempo ao tempo para recebermos o retorno do que plantamos. Já diz a sabedoria popular que “saber esperar é uma grande virtude”, e não é à toa que esta sabedoria é tão sábia! Temos de ser pacientes e acreditar que por mais negra que a tela esteja pintada, o pintor vai colocar umas pinceladas de amarelo forte ou de laranjas fogo assim ao de leve.
Importante na vida é não baixar os braços! É não ficarmos à espera que a confusão se arrume sozinha. É não desistir porque nos estamos a afogar. Temos de respirar fundo, encher a boca com o ar salgado e fazer dele sopros mansinhos de esperança e garra!

sábado, 15 de agosto de 2009

Procuro entender uma razão que não existe. Compreensão de uma raça humana que nos surpreende diariamente, apagando por completo todas as dissertações antes escritas ou ditas. Somos inconstantes mutantes que se camuflam e adaptam, que se transformam e adequam às situações. Imprevisíveis na verdadeira ascensão da palavra, meticulosos e ardilosos.
É impossível prevermos quem seremos. Perceber o que hoje somos! Todos os dias são diferentes e por mais adjectivos em comum que tenhamos, somos diferentes do nosso semelhante. A partir daqui nasce a dúvida. Aquela que questiona o próprio mundo, inclusive o seu próprio Eu!