terça-feira, 27 de outubro de 2009

Há tanto que pouco me dão...


Preciso de puxar um pouco ao sentimento. De desapertar o nó que foi dado na garganta. De soltar a voz nas palavras, numa espécie de desabafo, inaudível, apenas sonoro quando lido em voz alta.
No recanto do meu quarto, previamente criado e decorado para ser o meu canto especial em casa, encontro-me comigo e com o meu coração, aquele que devia estar machucado mas que eu insisto em sarar colocando constantemente pensos rápidos para não ter de enfrentar a dor. Deixá-lo quebrar porque se sente só? Para quê? Não preciso de sofrimento quando já pouca alegria possuo. Tristeza…
Sinto a luz ténue percorrer o meu corpo, vejo as sombras criadas no caderno pela minha mão que incansável escreve para não arrefecer o meu pensamento que fervilha numa inquietude penetrante e angustiante.
Como é possível estar tão rodeado e ao mesmo tempo estar tão despojado? Que pretendem de mim aqueles que chegam de mãos cheias de nada e de falsas promessas? Escuto. A minha respiração, o cortinado roçar a janela provocado pela brisa fraca que toma de assalto o arrepio da pele. Escuto. O movimento na rua, os candeeiros que agora iluminam a noite que chegou mais cedo. A lágrima que percorre o meu rosto… O sabor acre da solidão.
Que vem aí? Quando chegará até mim?
Quero entregar-me, quero ser eu, quero se aconchegado. Mas o carinho não chega, o abraço fica longe, e só ter uma amizade não é suficiente.
Sinto-me egoísta! Sinto-me amarrado a um egoísmo idiota e arrogante por me deixar ir abaixo, por me sentir só e estar cansado de ter apenas um vislumbre do que preciso, agora!
Não quero mais brincar. Não quero mais que tenha de ser tudo tão complexo e complicado. Não quero mais ser somente eu. Preciso de um sorriso, sincero. De uma mão dada, quando o meu mundo ruir. De um olhar em segredo, para me aconchegar. De um afecto a dois, de uma compreensão, de mais do que um amigo. Estarei a ser pretensioso ao pedir demais? Como, se há tanto que pouco me dão…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ansiedade


Ansiedade. Feroz e inquietante.
Ansiedade. Mordaz e autoritária.
Ansiedade!
Estado de espírito inquieto e que me tira o sono, pesadelo noctívago que me ataca sem piedade, mente que fervilha velozmente perdida entre mil e um pensamentos. Ansiedade. O batimento cardíaco acelerado, a pulsação que corre sem parar, os olhos abertos, cansados, como se esperassem uma qualquer reacção. Esgotado.
O corpo treme, a voz falha, tudo geme.
Os sonhos reinam num reino mal governado, a salvação que tarda em não chegar, e aí, a ansiedade. Sofrimento de quem espera o que não sabe se há-de vir, impaciência.
A alma que se embrulha no fervor desta emoção, a saliva acre de cinzas passadas, pesadas, na língua. O odor carregado que esgota o ar e que me sufoca incessantemente. O espaço que se torna demasiado claustrofóbico e pequeno para o meu ser rendido à esquizofrenia de tentar raciocinar.
Ansiedade?
As crenças vacilantes, os receios, as questões por deslindar. O anseio.
As dúvidas existenciais, a personalidade posta à prova num torneio sem regras ou arbitragem corrupta. O chão que se desfia debaixo dos meus pés, o abismo constante de quem cai, cego, sem tacto. As certezas que nunca são certas, o positivismo ao qual se tenta agarrar com afinco.
Rasgo o tecido que me cobre. De tesoura na mão, corto cada linha que une os trapos que uso para me proteger do frio que nem existe. Despido, nu, intocável. Assim entregue à mercê de quem quiser chegar, de quem quiser esticar a mão, ao desaconchego de uma outra insónia. Uma esmola que não bate no chapéu, uma melodia que ficou presa no acordeão.
Ansiedade… Que me ataca e apedreja numa espécie de batalha que não escolhi fazer parte, numa guerra em que apenas quero paz.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Já não...


Já não me imagino.
Já não sonho como outrora.
Já não sinto o meu odor, o paladar das minhas lágrimas que secaram.
Já não há nada, um vazio dentro de um todo que não consigo tocar.
Onde estou? Perdido dentro de mim. Baralhado neste ventre que eu próprio criei. Iludido? Ludibriado? Confuso… Supostamente um encontro comigo mesmo, um vislumbro de uma luz julgada extinta. Mas nada. Nada surge escrito no meu livro e prossigo descalço, novamente.
Já não é hora?
Já não é hora de por um momento algo estar resolvido?
Pode parecer que estou livre, mas continuo preso a esta teia pegajosa de dúvidas e insatisfações. De mágoas e contradições. De becos sem saídas e estradas sem sentido. Onde?
Onde sou?
Onde faço?
Onde quero?
O que quero? O que faço? O que sou? O quê, onde?
Já não… Já não encaixo as palavras no meu raciocínio, que quebrado já quase não existe. Já não encontro o que perdi, nem chego a perder porque nada há por despegar. Já não sinto a dor, a cruel e violenta.
Já não…
Hoje.
Quem sabe amanhã…

domingo, 20 de setembro de 2009

Montanha-Russa


Começo por dizer que a vida é realmente tramada! Uma verdadeira montanha russa carregada de loopings, voltas, quedas e subidas que nos deixa muitas vezes enjoados e desnorteados. Será que não podemos estar isentos de curvas de 180 graus? Será que não existem linhas rectas sem obstáculos? Será que não existe uma segurança 100% fiável? Será sempre assim, bem sei.
Após iniciar este último quadrimestre do ano, apercebo-me de que talvez este ano de depressões e precipícios constantes não tenha sido somente um mau ano. Tento encarar a realidade por outro ponto de vista e apercebo-me de que esta fase pode também ter sido uma etapa de amadurecimento, de crescimento, de assimilar o adulto que sou hoje. Para trás ficou a minha personagem de criança, os sonhos e fantasias constantes, os medos, as pequenas vitórias.
Hoje o que faço tem uma repercussão diferente e é hora de saber viver com o que construí e continuo a construir para mim. Não posso permanecer sentado no chão do meu quarto a chorar uma tristeza vã por a vida não ser exactamente como esperava que fosse. É altura de limpar o pó acumulado e sair porta fora. Um dia de cada vez, com delicadeza, vou encarar o sol que brilha lá fora e dar a volta por cima! Este parque de diversões pode ser matreiro e tentar conduzir-me, mas eu serei mais astuto e a partir de agora serei eu o comandante do meu próprio navio!
Sei que lá fora ainda posso voltar a ser arquitecto dos meus próprios projectos e ser ainda o construtor dos mesmos! Só preciso de prosseguir viagem com esta força de vontade e tentar não cair se algum buraco surgir. Só tenho de aprender a aceitar-me, porque no fundo, não posso amar ninguém enquanto não me amar e não conseguir viver comigo mesmo!

domingo, 6 de setembro de 2009

Depois da Tempestade vem a Bonança


Será possível acreditar na teoria do "depois da tempestade vem a bonança"? É realmente verdade que após um período controverso e difícil em que o céu está constantemente enublado, finalmente o sol começa a rasgar os cinzas que pintam o tecto, para começar a iluminar um espaço escuro e de breu? Bem sei que me repito na muleta que uso agora aqui neste texto, mas quando os pontos de vista mudam, é bom mostrar que conseguimos ver os acontecimentos com outros olhos! Acho que começo a acreditar que sim, que tudo tem uma finalidade e que nada é por acaso.
É realmente necessário passarmos por períodos de dor e abismo próximo, para aprendermos a dar valor aos valores que de facto têm importância nas nossas vidas. É preciso os obstáculos para existir uma vitória real, desejada, merecida! De que nos serve adquirir as coisas sem esforço? Temos de aprender a saboreá-las e a vida encarrega-se de nos oferecer essa missão!
É bom chegar ao fim do dia cansado, derrotado até, mas com a consciência de que demos o nosso melhor e lutamos, uma vez mais! É óptimo depois de nos sentirmos partícula de pó, suja e vazia, começarmos a ver que afinal somos tão grandiosos como um Taj-Mahal, ou como a maior história de amor de todos os tempos! Entendermos que onde há ausência de cor hoje, pode existir um pantone repleto de cores, amanhã! O importante nesses momentos é não desistir e tentarmos preenchermo-nos do melhor que ainda temos na vida! Das pessoas, dos sentimentos, das pequenas coisas que ainda nos dão alegria. De sorrisos, de confortos, de esperanças!
O essencial nesta caminhada por vezes tão penosa é sabermos respeitar o curso natural da vida. Darmos tempo ao tempo para recebermos o retorno do que plantamos. Já diz a sabedoria popular que “saber esperar é uma grande virtude”, e não é à toa que esta sabedoria é tão sábia! Temos de ser pacientes e acreditar que por mais negra que a tela esteja pintada, o pintor vai colocar umas pinceladas de amarelo forte ou de laranjas fogo assim ao de leve.
Importante na vida é não baixar os braços! É não ficarmos à espera que a confusão se arrume sozinha. É não desistir porque nos estamos a afogar. Temos de respirar fundo, encher a boca com o ar salgado e fazer dele sopros mansinhos de esperança e garra!

sábado, 15 de agosto de 2009

Procuro entender uma razão que não existe. Compreensão de uma raça humana que nos surpreende diariamente, apagando por completo todas as dissertações antes escritas ou ditas. Somos inconstantes mutantes que se camuflam e adaptam, que se transformam e adequam às situações. Imprevisíveis na verdadeira ascensão da palavra, meticulosos e ardilosos.
É impossível prevermos quem seremos. Perceber o que hoje somos! Todos os dias são diferentes e por mais adjectivos em comum que tenhamos, somos diferentes do nosso semelhante. A partir daqui nasce a dúvida. Aquela que questiona o próprio mundo, inclusive o seu próprio Eu!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caminho...


Caminho um pouco embriagado nestas ruelas desconhecidas. Descalço e desamparado, roupas amarrotadas, de cigarro na mão, bolsa na outra, andar descompensado e desequilibrado. Os candeeiros de rua libertam uma luz de cor quente, um laranja fogo que cria sombras nas portadas das casas por onde vou passando, por detrás dos carros, até na própria calçada que piso. Não encontro ninguém, uma única alma viva que me indique onde estou.
Ainda sinto o paladar do vinho que havia estado a beber. O seu sabor mantém-se dentro da minha boca enrolando a minha língua. Sinto o odor a suor e a pastilhas de tabaco de mascar, álcool entornado em cima da toalha vermelha e rendada na bainha. O empregado que educado me servia mais um copo, para além do que devia beber. Apreensivo no final da noite, encaminhando-me a saída. Os olhares de soslaio à minha volta, demasiado penosos para conseguir suportar. A minha demência ali exposta como notícia de primeira página.
Saí perdido do bar. Desconhecia quem eu era, o que ali fazia, toda uma memória apagada em horas. Conversei comigo mesmo, questionando-me acerca de todas as dúvidas existenciais que podiam existir. Borbulhava no meu interior um medo arrogante e pegajoso, um receio de descobrir o que quer que fosse. Não encontrava respostas nem a quem as perguntar, estava agora sozinho dentro de mim.
Caminho. Não sozinho, a minha solidão acompanha-me como fiel amiga. Na bolsa o telemóvel sem bateria, já havia tentado ligar a quem quer que fosse, mesmo que fosse mais um desconhecido que fazia parte da minha existência. As chaves de uma casa que não conhecia a morada. Um bloco com apontamentos confusos e que não faziam sentido. Caneta, preservativos, pastilhas, tabaco. Tiro outro cigarro e sento-me no degrau do passeio a apreciar o silêncio da cidade. Por momentos, breves, apreciei a solidão na sua magnificência, quando ela consegue ser brilhante e libertadora. Depois. Depois chorei como só uma criança o consegue fazer.
Deitei-me no alcatrão, não me importando se sujava a roupa. Sentia a humidade da noite cair-me no rosto, uma neblina que se aproximava. Queria permanecer ali eternamente. Deitado, imóvel, quase que sem sentidos. Aguardar a chegada de um amanhecer que tardava em surgir nos telhados destes prédios que me envolviam como as mantas da minha velhinha avó.
Caminho. Corpo amarrotado. Olhos molhados. Caminho sem rumo. Vou por aí na esperança vã de voltar a descobrir quem sou…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Solidão!


Solidão.
Terrível e dolorosa solidão.
Sentado, escutando o silêncio da minha existência, sinto-me preso num sufoco talvez criado por mim. Nada ao meu redor. Um nada vazio, preenchido de ausências.
Solidão.
Aquela que se arrasta com o passar do tempo. A que permanece num crescente assustador, demasiado real para ser invisível. Rodeado de pessoas, cada vez me sinto mais só. E um a um, vou afastando todos aqueles que sempre estiveram presentes, de mãos esticadas prontas a amparar-me.
Solidão.
Entrego-me. Não quero combater mais. Não quero mais guerras onde o final é sempre igual. Cedo o meu território sem pedir nada em troca. Gentilmente vou deixado o inimigo desbravar o meu campo, indefeso, coberto de uma aragem pesada e doentia. Sentado. Aqui sentido as ervas secas que outrora estavam pintadas de verdes e laranjas, de cores garridas e bonitas.
Solidão?
Mais que nunca!
Cercado de gentes que se distraem com os seus caminhos, não quero saber de nada nem de ninguém. Permaneço assim, dissimulado, empenhado em que tudo perca o seu sentido para ficar assim, só.
Solidão. Forte. Vencedora!
Sinto-me cada vez mais fraco. Doente. Preso a algo que já nem questiono o que é. Já não quero saber de dúvidas, de questões, de me encontrar, do saber. Quero estar assim, a deixar de andar por vontade, mas por favor e porque não posso permanecer todos os dias entregue ao aconchego da minha cama. Fingindo, levanto-me diariamente e continuo o meu destino, como se eu próprio soubesse para onde vou.
Solidão. Mascarada com um sorriso. Cegueira graciosa e palhaçada dos invisuais que me rodeiam e que não me percebem! Sempre fui um bom actor!
Solidão! Entrego-me a qualquer um. O meu corpo vai e dá-se a quem quiser aceitar, apenas para colmatar a falta que sinto e que não consigo resolver por não ter mais força. Por momentos, sou de alguém, não sendo nem de mim próprio. Como se o meu corpo estivesse possuído por uma entidade que desconheço o nome e que me comanda sem a minha permissão. Ou terei já eu assinado o contracto de aluguer deste corpo defecado por falta de beleza?
O espelho. Mostra-me a minha solidão. O meu reflexo nas águas turvas deste rio que passa nos meus pés deixa-me ver o que na realidade hoje sou. O reflexo de um sonho que não se realizou e que será eternamente isso, uma utopia!
Solidão.
Sou teu. Eternamente! Não vou lutar mais pelo que não está destinado a ser.
Desisto!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Até Breve!


Cegos!

Sacanas invisuais!
Ignorantes egocêntricos sedados pela sua esfera egoísta.
Porra, estou farto. Desisto. Não vale a pena. Para quê? Porquê? Como?

Parto sem data de retorno. Vou para onde os meus pés me levarem. Sigo numa tentativa frustrada de tentar remediar o pouco que sobrou do que sou! Casa que sofreu com as labaredas da humanidade que se tenta reconstruir agora.

Preciso de espaço.
De tempo.
De solidão.

Preciso de me voltar a encontrar, de voltar a reconhecer o meu nome.
Necessito de algo que ainda não sei o que é! Mas que anseio impaciente descobrir.

Um dia voltarei.
Um dia regressarei mais composto e refeito da derrota da vida.
Um dia...


Até breve!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Confusão Interna Eterna


O que se passa dentro da minha cabeça? Que confusão eterna entre o certo e o errado é esta que nunca me deixa agir? Sou tão vago que chego a ser parte do sinónimo desta palavra no dicionário. Este duelo sempiterno entre a razão e o coração, esta batalha interna que travo diariamente e que não me dá descanso um dia que seja. Porque é que quero sempre estragar tudo quando a totalidade do que existe é tão aparentemente benéfica para o meu ser? Porquê desistir de pintar um quadro que se começa a transformar numa bela peça de arte? Porque é que desisto? Porque é que tenho receio de continuar preferindo fugir e começar tudo outra vez? Porquê? Porquê estes porquês constantes e sufocantes? Acho que vou tatuar um ponto de interrogação no meu corpo, nada melhor para me definir do que este sinal de pontuação.
Há já muito que deixei de compreender porque é que existe esta diferença tão díspar entre o que quero e o que na realidade executo. Não entendo porque digo que almejo uma história de amor intensa, sincera, a verdadeira ascensão da palavra entrega, uma relação real e duradoura, e no final acabo por me distrair com o que se passa ao meu redor, desistindo de tentar, acabando por terminar entediado e sem vontade de permanecer forte e estável. O que se passa comigo? Não estarei preparado apesar de sentir que o que quero é mais certo do que o que faço? Ainda não aprendi a controlar-me? A lidar comigo? Ou será que sou mesmo assim e o desenlace é entregar-me à habituação desta perturbação psicológica? Preciso de respostas, soluções que nunca chegam, remédios que não se encontram à venda na farmácia!
E já nem sei em que estado me sinto. Se estou eufórico ou deprimido, feliz ou assoberbado por uma tristeza doentia. Só sei que não consigo deixar de me sentir inútil, lixo, um idiota daqueles sem ideias! Sei que já nada faz sentido e que sou uma garrafa a boiar no longo oceano. Cheia de turbilhões, com a rolha prestes a saltar, mas brilhante no exterior.
Tenho o hábito de mostrar o oposto do que sinto quando me sinto em baixo. Serei uma espécie de esquizofrénico mesmo não tendo rompido o contacto com o mundo exterior? Incoerente mental? Que sou? Que construi dentro de mim? Um monstro do sentir? Uma aberração que sente ferozmente mas passageiramente, ludibriando todos à sua volta com romances que na realidade não passam de mais um momento volútel? Que espécie de perversão é esta que não consigo controlar? Sinto-me colossal com tanto nojo! Confuso nesta imensidão pertubadora que se originou dentro de mim. Basta de arruinar sempre tudo!

sábado, 11 de julho de 2009

Vida Paralisada!

Sinto a minha vida paralisada!
Acabo de encontrar um novo fulgor, talvez uma novidade que precisava para me voltar a sentir vivo e desejado, mas será suficiente? As minhas pretensões são bem maiores e esta nova paixão que experiencio agora não me chega para me voltar a sentir.
Deus, se existe, deu-me asas para voar, mas parece que insiste em manter-me aprisionado a um lugar do qual quero sair desesperadamente. Se está lá em cima a comandar-me, como pode ser tão cego a ponto de ver que quero muito mais que estes horários trocados, esta cama que me acolhe de vez em quando, esta vida estagnada e cada vez mais idiota. Sentado, nada faz? Como pode ser tão insensível vendo-me chorar e nada fazer para me fornecer um sorriso? Não serei eu também merecedor?
Novamente esta noite de estrelas inalcançáveis da minha varanda, estas palavras que me fogem do silêncio, esta lua nova desaparecida, personificada no meu gracejo quase extinto. Até a minha sensibilidade sinto escapar pela porta de casa. Resignado, fumo outro cigarro enquanto esmago a aragem de verão contra a janela do meu quarto.
Paralisada. A minha vida.
Ando por aí a deambular. A viver um dia de cada vez. Tornam-se cada vez mais pesados e insustentáveis de suportar estes dias sem consistência ou qualquer matéria. Só quero desistir. A paciência dissipasse por entre a chuva que vai caindo durante a estação.
Só quero estar drogado. Isolar o meu pensamento numa caixa de Pandora, demasiado perigoso para libertar! O meu pensar obriga-me a exercer o poder de reflectir e eu não quero. Mecânico. Robótico. É o que pretendo. Tenho medo de que volte a tristeza até mim e de me sentir na podridão novamente.
Estou tão farto desta impotência! Desta batalha de solidão. Deste sôfrego que sinto no peito e que ninguém consegue arrancar. Até de chorar, de gritar a minha dor aqui, até disto tudo estou cansado. Parece que já nada vale a pena e que os sonhos de criança são somente isso, sonhos! E que agora a vida é apenas isto, sobreviver a mais um dia, ser o que nos dão e tentar fazer disso o melhor possível. Parece que sou obrigado a viver sem o que almejo para mim e construir tudo de forma diferente. Habituo-me à ideia de que não terei e de que serei um eterno mendigo à mercê das vontades dos que me dão migalhas de merda!
O que me vai acontecer a partir daqui? Como será o futuro? Não pretendo saber.
Embrulhei as esperanças em papel vegetal junto com as minhas lembranças de outrora, aquelas demasiado infantis e inocentes. Ficaram ali guardadas ou pé do meu retrato de quando ainda pensava que iria conseguir vencer e superar as minhas próprias expectativas! Tudo junto numa caixa de cartão debaixo do colchão.
Agora, sento-me neste mosaico frio e desisto. Acabou! Chega de esperar pelo que não vem. Não tenho mais nada para além de um copo meio cheio de vazio. Hoje durmo aqui no chão. Amanhã deixar-me-ei apenas levar. Irei por aí, sem objectivos, sem ideias, sem sonhos. Serei apenas eu e um vazio assombroso no olhar.
Uma vida estagnada!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Será por te ter aqui?


Não me interessa se as tradições me dizem que devo ir com calma e disfarçar o sentimento que tenho neste momento! Chego à conclusão de que ninguém sabe nada e de que os hábitos foram criados por quem tem medo de arriscar e viver. E eu cheguei ao limite dos terrores corrosivos. Deitei fora todos os meus receios mordazes e joguei-os pela janela. Sou hoje mais bravo e corajoso. Será por ter ter aqui?

Sinto-te como um refresco numa tarde de calor. Como uma pedra de gelo que me estala a pele seca. Uma espécie de respirar fundo iluminado de boa energia e carinho. Sinto-te como se te sentisse num eterno não contável.

Como podes ser tão certo quando tudo à minha volta está tão errado? Como podes dar um resultado tão bem calculado quando todas as contas que tenho estão desequilibradas e por recontar? Como podes já me ter dado mais que muitos que se passearam na minha vida por longo tempo? Como pode tudo isto estar a ser real e correspondido? Como? Como podes tu vestir-te por completo do que procuro desde sempre? Onde estavas? A deixar de ser um projecto para agora te apresentares nos meus braços como completo?

Os dias passaram a voar e ainda me sinto a tremer com tudo o que demos mutuamente. As minhas pernas vibram e não consigo deixar de pensar que amanhã irei acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho para me dar mais alento na minha jornada feita auspiciosa neste momento. Fecho os olhos e ignoro tudo! Se um dia acabar, terei tanto por contar, tanto por relembrar, tanto que vou guardar nos meus diários por ter tido a oportunidade de ter sido feliz e de conhecer a verdadeira sensação da paixão! E que me esbofeteiem com palavras ardilosas de que estou a ser impulsivo. Reconheço que o fui no passado e que acabei por me magoar, mas porquê ficar reticente? Para evitar viver? Para me tornar amargo e desiludido? Não vou por aí, prefiro continuar a acreditar que um dia será o meu dia!

E não consigo evitar deixar de ter este sorriso parvo na cara. Deixar de ter saudades tuas quando apenas passaram minutos desde que estivemos juntos. Deixar de sentir o teu odor preso nas minhas narinas, as tuas gargalhadas na minha audição, os teus beijos perfeitos nos meus lábios e em todo o meu corpo. A suavidade da tua pele amaciada nas minhas mãos, o teu jeito único preso na minha visão. Será por te ter aqui que agora encaro os dias de forma diferente? Será que o amor nos muda fazendo com que tudo ganhe uma nova cor? Basta olhar-me ao espelho para perceber que sim... Será por te ter aqui que ainda te quero mais?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Perco-me


Olho o teu retrato nesta noite fria e não consigo deixar de sentir um ardor no peito demasiado feroz para ser suportável. Encaro o teu rosto com coragem e não controlo as lágrimas que vão caindo. Não sei o que me prende ainda ti. Se esta solidão tão vincada que me faz ter saudades do que um dia tivemos, se um sentimento que pensei ter deixado de existir, mas que afinal ainda sobrevive apesar de outros percursos, se algo que somente tu me consegues dar e que eu não encontro em mais ninguém.
Perco-me no vazio que tenho agora nas mãos, nas lembranças que guardo de ti, nos momentos passados, na nossa história que enche todo o meu corpo e que me faz viajar para além do presente. Perco-me nos porquês da vida, nas dúvidas eternas, nos pensamentos de mágoa e tristeza por tudo ter chegado ao fim e de te terem levado para longe de mim.
Não sei se o mais certo é lutar contra a minha vontade ou deixar-me ir numa bravura que desconheço ter ainda em mim. Não sei se é isto que realmente quero ou se será isto que devo fazer. Só queria voltar a ser feliz, contigo a meu lado ou com outro alguém que me conseguisse preencher este vazio que caminha juntamente com a minha sombra! E pergunto-me, se ainda pensas em mim, se ainda te lembras dos meus beijos, se é em mim que tu pensas quando estás nos braços dele. Se também ainda guardas no peito a chama que tivemos acesa um dia. Já apagada?
Suave. A tua pele tão suave. O teu cheiro tóxico e penetrante, demasiado sedutor para conseguir fugir. A tua voz, a tua voz tão reconfortante. O teu sorriso protector. O teu toque... O teu toque tão doce e gentil. E até, o teu silêncio! Sinto falta de tudo! Mesmo do que nunca tivemos e que sonhei um dia poder vir a ter. Não consigo deixar de escapar um pensamento utópico, em que nada disto é real e que o futuro já não se desenha contigo nele. Estarei a sonhar? A imaginar que ainda pode existir uma história para um conto que terminou? Perco-me. Em mim. Em ti. No que fomos.
Fecho o álbum de recordações e encosto a cabeça na almofada. Agora que enxuguei as lágrimas, vou adormecer. Quem sabe amanhã o tempo trará as respostas de que preciso, com a tua presença aqui ao meu lado dizendo-me que não sofro sozinho. E só queria despedir-me de ti num abraço profundo. Numa perdição perdida.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Quero não regressar!


Sinto-me morto!
Sinto-me morto numa inquietude assombrosa.
Sinto-me deslocado desta realidade suja.
Vejo no que me tornei e apesar do resultado ser num todo, surpreendente, o que tenho, magoa-me por ser um saco cheio de nada.
Quero fugir.
Fugir para longe de tudo e todos.
Correr para onde ninguém me conhece e onde as palavras não são repetidas e a esperança não me é mostrada diariamente.
Quero desistir! Mandar-me do primeiro penhasco que vir! Terminar de uma vez por todas com esta depressão desgraçada que não me larga, pegajosa.
Ninguém me conhece verdadeiramente. Todos se ofuscam com esta minha máscara fantástica de supra sumo da fortaleza. Ser indestrutível, cheio de garra, esperançoso, demasiado ridículo para ser verdade. Estou derrotado e cansado do mundo que está à minha volta, que me vê de olhos cegos! Desta família que passa por mim com um sorriso como se nada estivesse a acontecer!
Deixem-me ir.
Deixem-me estar.
Deixem-me!
Não quero mais nada. Cheguei ao final da estrada. Já não há nada que me faça voltar atrás. Já não há nada que valha a pena a minha permanência nesta angústia desesperante! Quero partir com a minha mala de mão e voltar nunca mais. Quero ir à aventura, descobrir novos lugares, novas que me façam desejar estar vivo.
Quero sair daqui.
Quero ir.
Quero não regressar!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Esta noite...

Esta noite.
De longe, assisto à minha personagem desempenhar o papel que lhe foi atribuído. Sentado na cadeira da mesa de jantar, visualizo o corpo deitado no sofá, que assiste televisão de forma a esquecer a vida que deixou de ter. Vazio, liberto, solto. Em mais uma noite, deixa de pensar, de sentir, de ser, entrando num mundo fictício de histórias cruzadas, de mundos retirados da realidade, pincelados no grande ecrã. Ri, chora, emociona-se. Encontra nos enredos criados por terceiros as emoções que deixou de ter na sua própria vida, na sua própria verdade.
Esta noite, quero ajudá-lo. Quero gritar para que tome uma atitude, para que mude, para que tente. Quero abana-lo para lhe dar vida! Quero estremecer o chão que pisa criando uma onda de ocupação, originando uma nova história própria, longe das novelas que vê todas as noites. Quero escrever um guião e dar-lhe-o para que o represente como só ele consegue, perfeitamente. Só ele sabe actuar de forma a exceder as expectativas deste papel. Mas com tristeza, este corpo encara-me de frente questionando, como queres que o faça? Baixa o olhar e soluça num choro perdido, já tentei a exaustão.
Esta noite!
Com raiva parto a loiça que se encontra em cima da mesa! Sinto uma revolta agonizante por me sentir impotente, por não ser mágico, por estar paralisado. Apesar desta força que possuo, não consigo criar nada para o corpo que vejo ali, desprotegido, frágil, só. Sei que a máscara de pilar indestrutível que usa, que é facultada por mim, espírito forte, agora distanciado do seu próprio corpo. Mas não será hora de o verem na sua verdadeira essência? No seu mais profundo receio de se mostrar? De perceberem que afinal é mais fraco do que julgam e que chegou ao fim da linha da esperança? Será a cegueira ao largo de um ser humano assim tão espantosamente sumida, que ninguém tem o discernimento de reparar no entulho de outro alguém?
Esta noite levantar-me-ei e abraça-lo-ei. Esta noite não quero que se volte a sentir despido. Vou protegê-lo, agarra-lo com determinação e suavemente sussurrar-lhe ao ouvido, que não está sozinho! Vou acariciar a sua pele suave, por vezes ainda de criança, e oferecer-lhe o carinho de que sente falta. Vou tomá-lo nos meus braços e num bafejo eterno, adormecê-lo pacificamente num sono de embalar.
Esta noite...
Não terá medo, não terá nada para além dele próprio. Estará em paz consigo mesmo, sonhando sonhos que pensou perdidos, numa tranquilidade passada e julgada extinta! Será suficiente e não deixará que os pesadelos o atormentem novamente. Verá o nascer-do-sol com alegria e a última lágrima que cair irá transformar-se num sopro de fé que o assombrará num tempo indefinido. Aí, encontrará a luz de que precisa, a esperança que é necessária para não desistir. Esta noite, ele irá recarregar as energias e respirar fundo.

Esta noite...


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mudanças, onde estão?


Preciso de descarregar a fúria com que acordo diariamente, esta revolta arrebatadora e tão dolorosa que me torna pequeno e insignificante. Quase que chego a lacrimejar pérolas de sangue, quase que o meu corpo se torna em algo irreconhecível e tenebroso. Preciso de expelir a tristeza que trago no peito, os sentimentos que me deitam para baixo quando tento erguer-me no meio da escuridão. Preciso de revolução, de mudanças, de seres que não chegam, de gestos que fogem no meio da neblina, de reacções, de atitudes, de portas e janelas escancaradas com o vento! Quase que me perco, quase que já não sei quem sou, quase que desvaneço por entre a multidão, quase que só me deixo a boiar dentro da minha banheira de sal.
Que faço se o reflexo que encontro no espelho me mete nojo e entedia? Que faço se me sinto aborrecido e a perder-me na imensidão das estrelas? Que faço se já deixei de lutar porque perdi as forças? Raiva, raiva, raiva. Uma pitada de perturbação. Retiro um milhão de sorrisos e eis o meu resultado. Igual a lixo que espera impaciente por uma reciclagem que não chega!
Cheguei? Onde? Ao fim desta etapa interminável? E agora? Qual é o próximo passo a dar? O que vem a seguir? Meio ano paralisado não é suficiente para brincarem aos fantoches aí em cima? Que pretendem de mim? Que provação me querem dar? Que perguntas ainda têm para me oferecer durante a noite que eu ainda não tenha colocado? Preciso de uma espingarda para matar este cordel invisível mas pesado!
Mudanças, mudanças, mudanças! Onde estão? O GPS ficou sem bateria e agora não conseguem encontrar a minha morada? Sentado no sofá, bebendo outro copo de vinho, fumando mais cigarros dos que os que tenho, aqui jogado com a almofada que me amacia a coluna. Limito-me a estar, deixo de ser...
Não peço demais, sei que não. Só peço uma solução e não me ouvirão a reclamar novamente. Só preciso que me dêem algo a que me agarrar e a partir daí seguirei o meu caminho honestamente e com garra! E não me interpretem mal, não me dirijo ao amor, não é dele que preciso agora, não é um outro sofrimento em cólicas de dor que pretendo. A minha dose anual já foi tomada. Falo de realização, de sonhos perdidos que se escondem com vergonha de terem sido deixados para trás porque ninguém para além de mim lhes estendeu a mão. Falo de objectivos que tive e que persisto em tentar ter apesar da crise que se instalou à minha volta como uma muralha inquebrável. Falo de mim, do meu espírito envolvido em teias de ocupação, em horários preenchidos. De uma alma cansada por chegar ao final do dia em êxtase por ter tido mais um dia que valeu a pena. Falo de mim... do projecto que construi e que aguarda confirmação de construção! E a esperança que me dizem para ter? Dessa já pouco vejo a sombra...

terça-feira, 16 de junho de 2009

A minha família é esta amizade


Frescura rejuvenescedora, momentos que palpitam a mil à hora dentro do meu coração. Um sorriso que não consigo disfarçar por estar demasiado alegre para o conter, uma agitação libertadora por estar numa espécie de apogeu de felicidade!
Os olhos secam as lágrimas que insistem em personificar uma cascata humana. O abraço sentido com força envolve o meu corpo e sinto-me em casa, num lar que não me calhou nos pacotes de batatas fritas, mas que escolhi por minha livre e espontânea vontade. É esta família a que melhor me conhece. A que me compreende, a que sabe quem sou. Que aceita os meus defeitos, que adora as minhas qualidades, que sofre comigo, que grita com as minhas vitórias. A minha família é esta amizade que insisto em não perder. É esta ligação maior que o terreno, são estes irmãos e irmãs não de sangue, mas de vida, de alma, de coração! E haverá maior amor que este? Existirá maior júbilo do que aquele que apenas um amigo te pode oferecer?
A amizade.... Potes de ouro embrulhados em guardanapos de linho. Sopros de vento que nos refrescam quando estamos com calor, cobertores que nos aquecem quando o frio bate à nossa porta. Hoje sinto-me assim, com a necessidade de congratular todos aqueles que me amam tal e qual sou e que eu retribuo num amor incondicional e que não consigo demonstrar com todas as palavras. Mas se colocarem a mão no meu batimento cardíaco, se escutarem com atenção o meu olhar, saberão que é por vocês que me mantenho forte, que é por vocês que me sinto indestrutível, que me sinto forte e acima de tudo, honrado por vos ter ao meu lado nesta minha jornada.
E se eu voar sem saber para onde vou, saberei sempre que vocês estarão lá prontos numa busca pelo meu caminho! Sei que são vocês uma espécie de anjos que me protegem, que cuidam de mim, que me fazem sentir feliz por estar vivo. Sei que sou mais grandioso e que não necessito de riquezas, porque me sinto incalculavelmente rico com vocês na minha vida!
Obrigado a todos por estarem comigo.

sábado, 13 de junho de 2009

Tentar novamente


Queria tanto dar-te o que um dia recusaste e que mais tarde eu temi oferecer com medo de me magoar novamente.
Queria voltar aos tempos em que sonhava contigo ainda a dormir e que depois acordava contigo no meu pensamento.
Queria ainda que o nosso passado não tivesse enveredado por outros caminhos e que hoje tudo fosse diferente, mas nada disso aconteceu e agora somos diferentes, mais auto-conscientes e conhecemos-nos melhor.
Olho para trás e posso encontrar algum arrependimento em decisões que tomei, mas para quê? O destino já agiu sobre nós e se nos voltamos a encontrar, porque não interpretar isso como um sinal? Porque não aceitar a possibilidade de que desta vez pode dar certo? De que seremos capazes de enfrentar os nossos medos e receios e enfrentar uma história de amor?
Não pretendo mais dúvidas, não quero construir um castelo de areia, não quero ilusões e acima de tudo não quero brincar, mas também não quero caminhar com delicadeza. Quero ser impulsivo, deixar-me levar pela voz do coração, escutar com atenção um sentimento que julguei extinto e que agora renasce como se uma espécie de fénix se tratasse! Vou enfrentar-me e dizer que é isto que eu quero, mais do que nunca.
Vou dar espaço, vou dar tempo, vou dar tudo o que tenho. Vou mostrar-te o que perdeste, vou mostrar-me o que poderia ter sido. E se chegar ao final do dia e perceber que afinal havia tomado a decisão certa no passado e que nós não passavamos de um mero desejo, então não chorarei de tristeza, mas sim de alegria por a vida me ter dado a opurtunidade de esclarecer, por eu me ter permitido mostrar o que poderia acontecer e não prosseguir com uma dúvida eterna!
Acredito que existem ligações que são difíceis de explicar ou de entender, e sei que nós pertencemos a esse caso, mas não importa, não vou levantar mais questões aos brindes que me surgem inesperadamente. Somos assim mesmo, espuma de mar que vai e volta, círculos que por vezes estão fechados e nos fazem regressar à casa da partida.
Que as linhas da mão deixem de ter importância e vamos de uma vez por todas construir o nosso destino, a dois, os dois... E se era assim que estava destinado a ser? Que importa, somos que temos o mérito!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cavaleiro de Brincar


Sinto-me como se alguém me tivesse dado um brinquedo e agora me o tivesse roubado.
Vejo a tua imagem dentro da minha cabeça como se de uma curta metragem se tratasse. O teu jeito meio desengonçado. O teu ar um pouco lunático. O teu olhar carinhoso. O teu toque decidido. As tuas palavras a tocar no meu pensamento com conforto como uma harmonia antiga. Lembro-te como se um dia estivesse estado preso numa torre de um castelo e tivesses chegado montado num cavalo branco.
Ainda possuo o teu odor nas minhas narinas. Guardo os poucos minutos que tive contigo como se algo religioso tivesse sido. Fecho os olhos e és tu que lá estás. A tua beleza misteriosa, a tua magia que me prendeu numa bola de cristal frágil. E este medo que me invade como o vento que arrebata as minhas persianas. Este medo triste de voltar a querer o que não me quer, este medo de mais uma vez deitar fora quem me quer por bem e de verdade. Este medo... o eterno!
Sinto-te agora longe, depois de te ter sentido tão perto, tão penetrado dentro de mim sem me tocar. Sinto-te agora numa distância localizada nos mapas, num longínquo que quero partir a ampulheta do tempo e trazer-te de volta até mim. Mas, e se não é isso que pretendes? Se não é estar junto a mim que te faz respirar e estás simplesmente entretido em deixar-me numa lista de espera cruel?
Uma vez mais e outra tanta. Perdido por me entregar sem um concreto palpável, em lágrimas por algo que desconheço, ansioso por um regresso que pode ser o quebrar do feitiço! E se as promessas voarem com as horas quando estiveres de novo aqui? E se o tempo te ajudar a encontrar outras respostas que procuras inconscientemente e te proporcionar algo diferente do que sou? E se...? Bolas, novamente estas ânsias, esta desordem que me provoca cicatrizes no coração, estas perturbações externas que provocam precipícios internos! Porque te vestiste de príncipe encantado para agora te cobrires com um manto pouco nobre? Porque invadiste o meu castelo para agora partires para a guerra? Tudo o que me resta é rezar a um Deus em que não acredito, pedir a uma religião em que sou descrente para te trazer são e salvo e desejoso de querer estar nos meus braços, pela primeira vez!
Vou ficar aqui, sentado na minha torre, aguardando impaciente a tua chegada, uma notícia tua, uma boa nova que me faça sorrir e voltar a acreditar! Vou esperar sem sono, de olhos abertos, sem descanso. Vou tentar não desesperar por não saber, sorrir quando pensar em ti, continuar a sonhar com o que podemos ser. As histórias de amor são isto mesmo, complexidade extraordinária. Cavaleiros de outrora que surgem nos nossos caminhos e que mesmo sendo só de brincar, por momentos se transformam em reais!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ter-te comigo...


Espero num nervoso miudinho a tua chegada.
No ar um forte odor a caril e a especiarias. O sol de fim de tarde rasga pequenos apontamentos espalhados pelas ruas. Algumas janelas ainda abertas, mulheres de lenço a cobrir o rosto gritam algo que não entendo, vendedores ainda a tentarem vender os seus incensos e tecidos vivos e delicados. Sei que o lar está longe, mas é como se sentisse o conforto dele aqui. O seu aconchego rasga as leis da distância e embrulha-me nos seus cobertores de lã. Não me sinto perdido, deslocado, com receio, sei que nada me acontecerá, não aqui onde a fé é maior que o Homem.
O nosso momento dá-se para lá do encanto! A tua pele bronze faz-me desejar coroar-te meu Rei! Os teus lábios carnudos excitam o meu corpo num gemido inaudível mas visível no transparente suor. O meu coração acelera com a tua presença. Vibro quando as tuas mãos aveludadas me acariciam. Viajo para além do tempo e do espaço, e só te ouço a ti, a tua respiração, o teu olhar. A cidade pára quando te aproximas. Os carros não andam mais, as crianças param de correr e até os cheiros se dissipam com o teu perfume! Apenas nós, uma primeira pessoa do plural isolada num rodeio de gentes, o rio que corre longe, o nosso momento, o nosso encontro!
Sei que isto não é fruto da minha imaginação, que te sinto na verdade. Completamos-nos nesta paisagem, numa fotografia memorável criando uma melodia para lá do romântico e de um amor platónico. Somos muito mais que um grande amor protagonizado no grande ecrã! Somos o sentimento, somos o desejo, somos dois seres numa entrega total e sincera!
Sinto a aceleração dos nossos corpos. O batimento cardíaco que ultrapassa as leis da ciência. Uma carícia que desliza na minha face. Um beijo que me roubas de mãos dadas. Um sorriso disfarçado e tímido... Quero ter-te assim para sempre! Preso neste encantamento demasiado bonito para ser real. E não, não estou a sonhar, estás aqui comigo, adormecido no meu abraço.
Quero deitar-te a meu lado, numa cama de linho, fresca e perfumada. Quero sentir-te no meu ser. Quero ouvir-te a meu lado. Adormecer com a lua a iluminar o teu rosto e ser essa a última imagem que guardo de ti antes de fechar os olhos e me perder em sonhos distantes contigo. Quero ao acordar protagonizar o melhor despertar da minha vida. Preparar-te o pequeno-almoço e levá-lo à cama. Dar-te fruta à boca. Estar junto a ti e nada mais ser importante. Ter-te comigo. Apenas comigo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Adeus memória constante


Sinto o vento bater-me no tronco nu com delicadeza. Estes dias de sol passados na praia abrem-me o apetite para o sentimentalismo e chego à conclusão inevitável de que é chegada a hora de te largar aqui, onde o mar se enrola na areia e leva os meus problemas para longe.
O oceano está forte aqui, assim como a revolta que possuo no peito pelos constantes dissabores que me são oferecidos numa bandeja de prata. Encaro-o sem medo da mesma forma que enfrento o que deixo aqui hoje a boiar numa garrafa de vidro. Sei que é chegado o momento de arrumar o luto e voltar às cores alegres que me caracterizam. Percebo que nada posso fazer e que é impossível fazer acontecer o que não está destinado a ser. Uma lágrima que cai e sei que é a última!
Encho a mão de sal e levo-a à boca habituada a receber o agressivo sabor.Volto a sentir o vento e permito que este me limpe a alma, em perfeita harmonia com a natureza, porque no fundo somos um só. A partir deste momento seco a minha dor abandonando-a clandestinamente. Volto a vestir a fortaleza e sigo caminho deixando as minhas pegadas para trás. Nunca esquecerei, mas também não será memória constante!
Adeus.

sábado, 30 de maio de 2009

Procuro o que foste


Procuro-te pela calada da noite. Saiu de casa em busca de um bafo fresco nesta noite quente de verão. Desloco-me impaciente pelas ruas desta cidade, tentando encontrar o teu olhar reconfortante novamente. Sei que nunca foste meu, que nunca te entregas-te, que o pouco que tivemos foi fruto da minha grande imaginação e que nada foi tanto. Sei, de forma cruel e que me magoa agora cada vez mais, que nunca existiu uma história complexa, fomos apenas uma passagem, tu inesquecível, eu... Quem fui?
Não entendo o que te move. O que te faz viver e querer. Pensei que te conhecia, que sabia quem tinha na minha vida, mas novamente deixei envolver-me num jogo que não domino, num enredo que me baralha e que dissimuladamente me tortura.
Como podemos ser tão cegos quando a verdade está mesmo à nossa frente? Amor? O amor deixa-nos tão deslumbrados que não conseguimos ver espinhos onde imaginamos rosas? Faz com que nos tornemos patéticos e manipuláveis? Ou será também essa a beleza que encontramos? A inocência do ser?
Neste momento habituo-me apenas ao facto de não existência. Ao destino que afinal virou à direita quando eu esperava que continuasse em frente. Os meus desejos dissiparam-se e cheguei à conclusão de que não me vale de nada fugir da dor com medo de sofrer. Voltei a cair num abismo vestido de paraíso e que agora guardo na gaveta da cómoda depois de passado a ferro.
Tento, em vão, encontrar-te. Tento na minha forma mais animal o verbo tentar. Mas para quê? Tu não precisas de ser encontrado. Precisas de te encontrar, e mesmo tendo estado eu disposto em ajudar-te nessa demanda, é algo que agora tens que fazer sozinho sem ajuda de terceiros. Não te posso obrigar a sair.
Um dia caminharás, altivo e cheio de certezas. E nesse dia olharei para trás, no momento em que tiver encontrado realmente um amor retribuído e vou pensar: Obrigado por esta passagem, hoje consigo ter o discernimento suficiente para saber dizer que isto é amor, e não uma simples brincadeira de bonecos do playmobil!
Um dia foste.
Um dia serás.
Mas não mais para mim!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conheço-te em Mim


Aconchegas-me nos teus braços de cetim fazendo-me sentir jóia rara. Relíquia de outrora. Segredos guardados pela sua preciosidade. Olhas para mim e acalmas o meu ser. Guardas-me em ti e proteges-me nessa tua teia invisível ao olhar comum. Sinto-me único!
Não consigo explicar a visibilidade que denoto ter em ti. A magia que nos une e que me faz sentir-te ligado inexplicavelmente. E flútuo para além do tempo. O espaço ofusca-se pela tua graciosidade e a minha natureza é afetada por conseguires penetrar o meu interior.
Despes-me sem me tocar. Sinto-te sem estares perto. Arrepio-me e são as tuas mãos em mim sem estares aqui. Como é possível sentir muito para além da presença física? Complexo no verdadeiro rumo da paixão!
Mergulho fundo e salto de olhos encharcados. À minha espera o teu sorriso personificado num lenço de papel. A protecção que me conferes e sedes vai muito além do terreno. O nosso encontro espiritual à muito que já se deu e o reencontro que experimentamos faz-me desejar o teu mundo ainda mais. Se os contos de fadas realmente existessem fora da folha de papel, tu serias o princípe encantado e eu viria montado num cavalo branco.
Vem adormecer-me ao final da noite e contar-me aquelas histórias encantadas de pequeno. Preciso voltar a acreditar que o que me dizes ainda pode ser verdade e que é possível sonhar. E sabes o que me encanta ainda mais? A tua força para mim quando te falta tanta em ti! A esperança que possuis alimenta-me. E como se a vida não fosse já demasiado questionável, sei que estou aqui na retribuição paralela numa igualdade do ser. Sentimos juntos e dispensamos guiões na hora do entendimento pessoal. Já nos conhecemos!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Novo Projecto


Ora bem, como todos sabem, ou a maioria sabe, a minha vida vive um momento atribulado em que me sobra tempo para pensar demais. Mas estava eu, perdido entre ideias e sonhos, quando me surge uma luz no cérebro! Uma lâmpada acende-se magicamente e um novo projecto revela-se como folha de papiro desenrolada por cima da mesa.
Sentei-me em frente ao computador e comecei a escrever, excitado com a adrenalina da novidade! Um desafio de alta voltagem por certo, mas que importa? Gosto de arriscar.
E foi assim que saiu a introdução de uma nova narração. Uma nova história narrada por mim sobre uma personagem que se pode assemelhar à minha pessoa, mas a verdadeira piada reside aí mesmo, onde começa o Filipe e onde acaba o Pi (nome deste cómico actor que dá vida às mirabolantes passagens da sua vida)? Onde está a verdade? Onde está a ficção? Até que ponto pode ser tudo verdade e vivido na primeira pessoa? Ou será uma composição de experiências na primeira, segunda, terceira e quiçá quarta pessoas do singular e plural respectivamente?
Em suma, tudo isto pode estar à distância de um simples click. Vais estar tudo exposto num novo blog, diferente, original e divertido. Quero deixar-vos curiosos e gostava que dessem um saltinho até lá, só para espreitar a título de curiosidade. Depois podem dar a vossa opinião, que para mim é sempre importante, e se gostarem, divulguem! No entanto, o Parágrafos Diários vai continuar a sua demanda.
Em baixo deixo o link.
Obrigado! E espero por vocês em...

Os Disparates de Pi:

- http://osdisparatesdepi.blogspot.com

sábado, 23 de maio de 2009

À Deriva


Estava escuro. Alguém havia apagado as estrelas. O silêncio envolvia o desassossego da minha alma. Solidão. Ninguém ao meu redor. Eu deitado sentindo as ervas no meu corpo semi despido. Ao longe escutava o som alto de uma televisão. O aroma de um cigarro pairava no ar, mas não percebia de onde vinha. Olhava em volta e continuava sem ver ninguém. O jardim estava repleto de um vazio extinto. A água da fonte corria agitada, aguardando saciar outra garganta. Fechei os olhos...
As ondas do mar batiam de mansinho na areia. O sol tão forte e tão quente aquecia a minha pele nua, branca, magra. Parecia abraçar-me meigamente. No céu as gaivotas voavam sem medo. Permaneciam na sua rotina ignorando-me completamente. Levantei-me, não queria continuar ali sentado, preso no meu corpo.
Devagar fui caminhando à beira mar. Olhei para a linha do horizonte tentando imaginar o que havia para além dela. Que gentes lá estariam depositadas, que sonhos, que fantasias, que realizações, que amores? Estaria lá ele também a pensar em mim, esperando em desespero a minha chegada? Virei a cara na direcção oposta. Não podia continuar a imaginar, não queria.
Pelo caminho as minhas pegadas iam ficando marcadas, pelo caminho a água do mar apagava-as não deixando um rasto meu. Não me preocupei. Se alguém decidisse procurar-me, não queria ser encontrado! Continuei e fui recolhendo pequenas conchas que iam aparecendo. Uma a uma eram recolhidas com delicadeza, como se fossem uma espécie de preciosidade. Sorri, apesar de só, comecei a sentir um formigueiro dentro de mim. Uma sensação estranha, mas que já havia sentido outrora. A novidade...!
E de repente lá estava ele. Um barco de pescador antigo, azul e branco, da mesma cor do mar. Sem receios entrei nele e viajei. Instintivamente quis ir até à linha do horizonte. Queria chegar até lá. Queria voltar a ser o tal descobridor. Queria finalmente o meu destino sem ser em bolas de sabão. Inconscientemente sabia bem o que queria... Aí o céu escureceu!
Por cima da minha cabeça uma revolta atrofiante que fazia estremecer o oceano. Uma tempestade rebelde vivia o seu apogeu. Os relâmpagos surgiam à minha frente iluminando de vez em vez o caminho que já não sabia qual era. O barco ia ao sabor da maré agitada. Já não o comandava. Uma confusão perigosa instalada. Sou jogado para fora e o barco parte-se em dois. As ondas rebeldes envolvem-me na sua espuma ácida. À deriva deambulo para lá e para cá. Sou embalado ferozmente. Errático! O meu corpo tratado com descuidado perde os sentidos... Deixo de respirar!
Acordo novamente no jardim. Ainda confuso sinto o sal na boca. Ao meu lado sentado no banco vejo uma sombra, mas não entendo a quem pertence. Inspiro fundo e levanto-me. Não quero saber de mais nada...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Onde está a minha hora?


As palavras estão arranhadas nas minhas mãos. O sufoco preso nas cordas vocais. O abismo está ali à minha espera, gentilmente deslocado como que esperando a queda inevitável. O corpo chora num grito inaudível. Por dentro aperto-me num metro em hora de ponta. Já não caminho, os pés arrancados estão descalços na entrada do quarto, junto com os ténis sujos de lama. A minha cabeça está a andar à roda, baralhada, perdida. Sofre o coração neste paradigma de lamentações, de sonhos perdidos, de utopias que são pouco mais que partículas de pó às voltas com o vento que rompe o sossego do meu bem estar.
Quero cegar-me, quero quebrar-me, quero ser um simples bibelot de porcelana para me jogar no chão e partir-me em pequenos pedaços. Quero ser mero espectador. Quero... Quero continuar a ter forças para querer.
Desejo invisibilidade, mas não será já isso que adquiri? Uma máscara tão poderosa que agora não permite que ninguém perceba exactamente como me sinto? Sou um estratega, um mentiroso, um sem abrigo de alma. Não deixo que me percebam verdadeiramente e depois ouso ficar decepcionado com a falta de preocupação de quem se ausenta porque não deixo escapar uma lágrima para me cuidarem? Serei o único culpado? Terei que continuar a aguentar o meu mundo nas minhas costas?
Devia tentar continuar a acreditar nas minhas fantasias de adolescente, são elas que me dão alento para prosseguir de espada em punho, mas não consigo acreditar em mais nada. Quando se perde a crença no eu, como podemos acreditar em algo mais? Como podemos vislumbrar para além do horizonte?
Não pretendo continuar deslocado. Sentir-me um farrapo. Necessito de algo novo, imediatamente. Estou tão cansado de lutar sozinho. De ter de fazer acontecer por minha própria conta e risco. Bem sei que as fadas me envolvem sempre que podem e me proporcionam sorrisos onde só existe mágoa e derrota, mas isso é insuficiente, não comandam a minha vida, não sou um fantoche embora me sinta exactamente desse modo, um boneco de brincar nas mãos de um qualquer sádico perverso.
Faltam-me as forças para enfrentar a tempestade que invadiu o meu navio! Preciso de ser possuído pelo espírito insaciável dos descobridores de outrora. Necessito de me voltar a sentir invencível, de continuar a acreditar nas minhas crenças, de estar no escuro mas ter a minha própria luz para me iluminar. Quero que tudo volte a fazer sentido e que de uma vez por todas as minhas lamentações sejam ouvidas!
Onde está a minha hora?
Onde estão as realizações prometidas?
Onde estão as terras por desbravar?
O espaço para sonhar já me o deram, onde está agora o momento para a realidade? Ou estará ela num nível oposto, inatingível, inalcançável, distante...
Onde está a minha hora?
Onde está tudo?
Onde estão todos?
Onde estão os meus dias de sol, sem guarda-chuva, sem galochas, sem agasalhos?
Onde?
Onde estão os sorrisos sem lágrimas a escorrer nos lábios?
Onde está o futuro?
Onde termina este passado?
Onde está o presente? É isto? Este nojo embrenhado no sofá?
Onde está a lixívia para me limpar?
Onde estão as respostas? As soluções?
Onde estão?
Onde está o regresso a casa de cabeça erguida?
Onde está a alegria?
Onde está o aconchego de algodão?
Onde está a minha hora?

terça-feira, 19 de maio de 2009

EuroSkills na internet!


Abaixo deixo um link para verem as fotos pubicadas no site do CECOA e que mostram um dos grandes momentos da minha vida!
Sem dúvida uma vitória memorável...

- http://www.cecoa.pt/destaques/skillsportugal.htm

Concertos...


Acordo atordoado. O zumbido parece que ainda penetra com violência o meu sentido auditivo. O corpo pesado como um peso morto por cima da cama, faz-me não querer levantar durante dias. A noite passada foi física e psicologicamente cansativa e agora falham-me as forças para encarar mais um dia. A voz para comunicar.
Com trabalho consigo finalmente sair e com pouca energia preparo-me. O dia está longe de me voltar a abraçar para dormir.
A luz do sol bate-me com força, como que a dizer-me, ânimo! Estás vivo! Sorrio pela janela do carro e percebo que por mais difícil que esteja a minha jornada neste momento, estou protegido porque ainda tenho muitos tesouros desembrulhados na mesa de cabeceira.
Sinto-me como se tivesse sido atropelado por um camião, mesmo nunca tendo sentido essa sensação. A cabeça treme a tentar manter-se erguida, a boca e os lábios secos pedem água constantemente. Preciso de um banho urgente, de comida quente e de me voltar a arranjar para sair. Em casa esperam-me.
Luzes brilhantes, vozes afinadas, músicas ensaiadas, trabalho de meses. Ontem, todos estiveram pelo mesmo. Trocaram-se desconhecimentos, gargalhadas, disparates, jogos, segredos, pessoas. Todos se deixaram envolver pela energia humana e pelo êxtase do furor. Um concerto é sem dúvida um dos mais maravilhosos momentos de que se pode fazer parte. E que venham mais assim. Mais letras na ponta da língua, mais o corpo deplorado em danças frenéticas, mais lágrimas de emoção, mais espectáculos!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma Casa no Fim do Mundo


Fazem-se à estrada numa aventura desconhecida. A música da rádio é substituída por uma banda sonora previamente definida. No interior do carro cinco pessoas, cinco enlaces, cinco destinos, cinco cruzamentos.
A vida ensinou-me que ela é composta de preciosos momentos inesperados, e esta ocasião vestiu-se a preceito exactamente dessa forma. Os sentimentos dentro de mim borbulham como as bolhas no interior de uma garrafa de champagne. E se a agitarem e tirarem a rolha?
Sonolência. Atenção. Pensamentos. Conversas soltas. Jogos. Relações. Conhecimentos.
O estranho não toma de todo papel neste cenário, embora uns se conheçam mais do que outros, no entanto estão todos aqui ligados e preparados para um fim de semana em conjunto. Sem receios, sem preconceitos, sem estratégias.
Naturalidade como linha que cose este vestido social. Boa disposição patente nos botões que se abotoam nas casas do casaco.
O sol vai caindo com o passar das horas para dar lugar à lua quase cheia que vai galgando o céu com fulgor. A neblina que surge no caminho cria um ambiente ainda mais sensível. Estrada em caminhos de ninguém. Curvas e contracurvas em montanhas de ribanceiras sinuosas e compostas de constantes perigos.
Por fim a chegada à casa de gerações. Telhado sobreposto a tijolos docemente cimentados.
Noite fora. O jantar. O após jantar. A diversão. Novamente os jogos. Folia. Todos unidos num serão campeão por ser uma deliciosa passagem dos ponteiros por nem se dar pelo avançar das horas! Por fim, o cansaço. A inércia. A hora do boa noite.
Até amanhã meninos...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eurovision 2009 (1ª Semifinal e Top Ten)

Ontem foi a primeira Semifinal, uma noite de surpresas, mas também uma noite que ficou longe das expectativas. O palco era fantástico, o jogo de luzes e imagens excelente, o local grandioso, mas houveram vários aspectos negativos que não permitiram uma cerimónia de abertura 100% brilhante. A começar pelos apresentadores que a meu ver não eram os melhores, o som perder-se por vezes e pela fraca actuação de vários países. Sabia desde o princípio que este não é um ano com grandes canções, como o ano anterior, no entanto haviam algumas que me criaram muita curiosidade e que chegaram a estar entre as minhas favoritas, mas depois a actuação foi uma autêntica desilusão. Mas de forma geral foi mais uma bonita cerimónia, mais que não seja pela emocionante actuação de Portugal, com a vocalista Daniela Varela a lacrimejar no final. Começou meio nervosa, mas depois encheu o palco com uma mistura de conto de princesinha com as tradições portuguesas, e o resultado esteve à vista, a passagem à grande final no próximo sábado. Mas convenhamos que a concorrência também ajudou a este facto, não era difícil estarmos entre os dez melhores da noite passada. Por fim decidi deixar aqui um vídeo. Uma montagem com o meu Top Ten deste ano. Desta forma poderão verificar que sou mesmo um nerd do Eurovision. E que me dou ao trabalho de conhecer as quarenta e duas canções a concurso, ver os respectivos vídeos e fazer uma montagem com a minha eleição de dez países favoritos. O que vale é que isto só acontece uma vez por ano! E ficam também com a lista dos dez finalistas apurados ontem à noite na 1ª Semifinal, a bolt estão os países que estavam nas minhas previsões para passarem. Em dez, acertei sete.

- Turquia;
- Suécia;
- Israel
- Portugal;
- Malta;
- Finlândia;
- Bosnia & Herzegovina;
- Roménia;
- Arménia;
- Islândia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eurovision Song Contest 2009


E este ano aqui estamos para mais um espectáculo do Festival da Eurovisão. Esta semana concretiza-se a 54ª Edição na cidade de Moscovo, Rússia. Onde estaremos presentes na 1º Semifinal, hoje dia 12. Depois haverá a 2ª Semifinal na 5ªFeira dia 14 e a grande Final no sábado dia 16 de Maio. Como é sabido de todos, infelizmente este certame tem vindo a perder cada vez mais espectadores em terras de Camões. As causas podem ser as mais variadas, mas no topo está o facto de Portugal nunca ter ganho e a conclusão às vezes quase óbvia de que este não é um concurso justo mas sim trabalhado por interesses maiores e mesquinhos relacionados com politiquices da treta! E o resultado deste último factor verifica-se quase sempre na hora de se conhecer o vencedor de mais um ano. Como prova disso, esteve o ano passado com o enorme roubo que o nosso país recebeu. Levávamos uma das músicas favoritas do público nacional e europeu, e no entanto não ficamos aquém do 13º lugar na Final, apesar de na 2ªSemifinal termos obtido o 2ºlugar e termos sido os favoritos pela imprensa europeia. Mas pelo menos chegamos até lá, uma vez que agora o concurso se divide em duas semifinais de onde se selecciona dez países de cada, somando assim vinte finalistas aos cinco que têm entrada garantida à final (França, Espanha, Reino Unido e Alemanha, por serem os fundadores deste concurso e por serem também estes a patrocinar financeiramente, e o vencedor do ano anterior, este ano portanto, a Rússia). Mas como fã assíduo que sou, tento esquecer os acontecimentos negativos que envolvem este espectáculo e continuo a assistir anualmente, embora este ano tenha andado desgosto com a vitória dos Flor de Lis, com a música "Todas as Ruas do Amor". Bem sei que possui uma letra lindíssima, e que o arranjo musical compõe uma bonita harmonia, mas por favor, desde quando isto é música de festival? (Apesar de com o passar dos anos ter deixado de ser um festival da música ligeira, para ser invadido por diversos géneros diferentes). E o mais engraçado é esta vitória súbita dever-se a uma só pessoa, que à última da hora decidiu que seriam estes os vencedores, quando a favorita do público era Luciana Abreu com "Yes We Can". Tudo bem, podem não ser apreciadores desta menina, assim como eu, mas convenhamos que a música por ela defendida tinha muito mais hipóteses de vencer lá fora do que a balada da terriola da avó que se decidiu levar. A música de Luciana Abreu tinha diferentes sonoridades, tinha poder, ela tem boa voz, além de que a menina é bem boa e já estou a imaginar ela com um micro vestido a mostrar o corpinho e a arrasar a concorrência! E só porque tinha uma frase em inglês já não é digna de representar Portugal? Desde quando isso é razão para alguém não ir lá fora cantar por Portugal? Estou realmente e profundamente indignado com esta má decisão do senhor director da RTP. É caso para ter vergonha em si! E sim, podem dizer-me que estou a ter um pensamento fútil por apenas querer uma cara bonita a representar o nosso país, mas não se trata somente disso. A música "Yes We Can" era por si só a melhor que foi levada a concurso no Festival da Canção em Março deste ano, pois estava muito à altura de outras grandes canções que vão a concurso este ano! Mas mais uma vez fica o sonho adiado... Ou talvez não, não vá uma grande surpresa acontecer...

Os eleitos deste ano são portanto:

- Grécia,
- Bulgária,
- Reino Unido,
- Alemanha,
- Turquia,
- Ucrânia,
- Islândia,
- Espanha,
- Suécia,
- Portugal!

Let the magic begin!











Palco este ano.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A vontade!


A vontade...
De vociferar. De quebrar. De saltar. De destilar. De escapar!
A vontade de ser quem sou, de me deixarem finalmente voar com as asas que tão arduamente construi para mim. A vontade de crescer, de estilhaçar barreiras, de ir além do pré definido.
Hoje, uma vez mais brotam os rios na minha sombra. Cá dentro já não uma panóplia de sentimentos frescos e límpidos. Já não o jardim primaveril de mil cores. Já não o sol a aquecer-me com o seu ardor. Por agora vejo os bancos carregados de branco. A neve cai sem parar e eu deitado no chão nem me dou ao trabalho de me levantar. Perdi as forças.
Sei que preciso de prosseguir, sem medo. Sei que o factor humano que cultivei ao meu redor hoje dá-me a maior e mais produtiva plantação que alguma vez possui. Também assumo que talvez tenha encontrado a semente que procurava e que me dará a melhor árvore de fruto de todas. Mas infelizmente todos estes hectares não são suficientes para me sentir feliz.
Frustrado, árido, exacerbado, gasto, miserável... Novamente a panóplia do sentir malignamente! Novamente eu no escuro. Novamente eu numa vala da qual não consigo sair.
Quando vou eu alcançar a realização? Ter um rasgo de sorte e ter finalmente o "cu virado para a lua"? Bem sei que nunca estamos totalmente satisfeitos, mas será assim tão impossível trinta minutos de sorrisos totais? Será assim tão espinhoso estenderem-me a mão e dar-me a oportunidade que julgo merecer? Ou estarei tão abruptamente cego que não enxergo que nada disso me está designado e que tenho de me contentar com a insignificância e mediocridade? Bolas! A minha vontade vai para além disso!
Estou num beco sem saída e o pior é que ninguém percebe que o guerreiro encostou o seu escudo e a sua espada. Que precisa de cuidados intensivos e que começa a perder o único ânimo que tinha. O de escrever para não cair na loucura! Mas as vontades dissipam-se como madeira na fogueira e agora já só vejo cinza nos dedos das mãos. Perco a vontade. Os desejos, as fantasias, o apetite, o interesse, o empenho, os caprichos. Os sinónimos da vontade!

sábado, 25 de abril de 2009

Quero Tanto!


Quero tanto que este sonho não termine nunca. Não acordar. Ter esta realidade feita fantasia para sempre presente. Ter-te e não te largar.
Quero tanto o teu sorriso no meu olhar. A tua mão na minha. O teu abraço no meu corpo. A tua respiração no meu pescoço. Os teus beijos... perdidos e intemporais. Os teus beijos repetidos vezes sem conta.
Quero tanto viajar. Viajarmos. Uma viagem. Várias. Quero tanto ir por aí contigo, sem destino, sem mapa, sem malas. Somente a segunda pessoa do plural, num mundo em que mais nada interessa para além da companhia!
Quero tanto brincadeiras. Ser criança, contigo. Quero tanto guerras na areia. Mandar-te água do mar e correres atrás de mim porque te molhei. Depois, cairmos os dois, molhados, e rirmos até não podermos controlar a respiração.
Quero tanto passeios. Ter-te ali ao meu lado. Passeios! Piqueniques num jardim. Silêncio. Natureza. Liberdade. Um silêncio que não é constrangedor.
Quero tanto ter saudades tuas após cinco segundos de ter estado contigo.
Quero tanto voltar atrás para me despedir num até já, novamente.
Quero tanto ver o nascer do sol contigo. Os dois e o dia a começar só para nós. Deitar-me na varanda, no telhado, no chão, não importa, e contar estrelas para te as dar todas. Infinitas só para ti!
Quero... Tanto!
Quero tanto conhecer todas as palavras para as usar para falar de ti.
Quero tanto ter-te!
Quero tanto fazer-te feliz.
Quero tanto ser capaz de tudo a que me proponho.
Quero tanto parar o tempo. Agarrar o agora, congelá-lo.
Quero tanto que não sei se não estou a ser demasiado ambicioso. Receio que não. Este tanto que posso querer, é todo o pouco que poderemos ser.
Quero tanto...
Quero tanto crescer ainda mais. Aprender contigo. O teu ensinamento. Aprendizagem. Dar tudo o que tenho, de bom, de mau. Receber todo o teu universo.
Quero tanto dias cinzentos e de chuva, nós, dentro do quarto, deitados lado-a-lado, num abrigo aconchegante e terno. Calor humano.
Quero tanto acordar ao teu flanco. Dar-te os bons dias depois de um boa noite dito ao teu ouvido.
Quero tanto sussurrar-te... Gosto de ti!
Quero tanto conversas perdidas nas horas. Temas ilimitados. Parvoíces várias.
Quero tanto mostrar-te o que és para mim, o que quero edificar entre nós.
Quero tanto pegar em ti e raptar-te. Surpreender-te. Surpresas! Quero tanto continuar a ter imaginação para te as fazer.
Quero tanto continuar a ter magia.
Quero tanto continuar a ser o que precisas.
Quero tanto continuar assim.
Quero tanto aventuras inumeráveis. Subir a montanhas, escalar e saltar. Ser radical e viver a mil. Quero tanto a sensação de ser livre, mesmo te tendo na minha vida e sendo teu.
Quero tanto que todos os momentos sejam únicos e especiais. Quero tanto que nunca exista monotonia nem rotinas hediondas.
Quero tanto continuar a escrever acerca de ti.
Quero tanto sabores variados, os dois à descoberta dos paladares. De novos odores, de novas culturas, de novos povos, de novas gentes e vidas.
Quero tanto que me envolvas no teu tecido de seda carmim e que não me soltes mais como se me tivesses cozido nele. Quero tanto que me ensines a ser corajoso como tu! Eu prometo que te adestro a minha bravura.
Quero tanto que me guardo num diário de futuro. Quero tanto que peço baixinho e uma coisa de cada vez. Quero tanto que chego a ser egoísta por tanto pedir.
E sabes o que quero mesmo?
Quero-te tanto...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Paradise


The clock says 9 am.
Gotta get out of bed,
Sunshine fills the room
And I'll be meeting him soon.
Deciding what to wear,
Mum's calling me from downstairs
Sayin it's a beautiful day.

When I get outside
See Jasmine and she says Hi.
Everyone's all smiles.
A day like this comes once in a while.
Walking down my street baskin in the summer heat
And feeling so good inside.

Everything's so perfect.
A beautiful seamless sin,
Summer breeze in the clear blue sky.
That's when I saw my guy!
So excited by the sight.
Take my hand so we can fly
To my paradise.

Now that your with me,
I see among the trees,
A glistening four way stream
Like something out of a dream.
Then you take my hand
And whisper it's a beautiful day.

I can hear the birds
Singing the most prettiest thing I've heard (la la la la la).
Makes me feel so free,
Escaping on their melody
And when your with me everything fits perfectly
And It makes me feel good inside.

Everything's so perfect.
A beautiful seamless sin,
Summer breeze in the clear blue sky (A clear blue sky).
That's when I saw my guy!
So excited by the sight (The sight).
Take my hand so we can fly
To my paradise.

I'll take you there,
And I'll whisk you away.

Come with me (Come with me)
Take my hand.
Fly with me (Fly with me)
Take my hand.

Feel so free
Just like a dream,
Come with me
I'll take you there.

Now, Everything is so perfect, so perfect.
A beautiful seamless sin,
Summer breeze in the clear blue sky.
That's when I saw my guy! (A crystal flowing stream)
So excited by the sight. (Like something out of a dream)
Take my hand so we can fly
I'll take you to my paradise.
I'll take you there. (to my paradise)
It's like a dream.
Come with me.
(To my paradise) To my paradise!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Abril e O Parabéns a Você!



















Abril é o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome deriva do Latim Aprilis, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. É por esta razão que surgiu a crença de que os amores nascidos em Abril são para sempre. Outra versão é que se relaciona com Afrodite, nome grego da deusa Vénus, que teria nascido de uma espuma do mar que, em grego antigo, se dizia "Abril".

1 de Abril - Dia da mentira e Dia do Humorismo;
2 de Abril - Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil;
3 de Abril - Dia da Verdade e Dia do desporto Comunitário;
7 de Abril - Dia Mundial da Saúde e Dia da Luta contra o Fumo;
8 de Abril - Dia do Correio e Dia da Natação;
13 de Abril - Dia do Beijo, Dia dos Jovens, Dia do Office-Boy e Dia do Hino Nacional;
14 de Abril - Dia Internacional do Café;
18 de Abril - Dia Nacional do livro infantil e Dia do Amigo;
21 de Abril - Dia da Polícia Civil e Militar, Dia da Latinidade e Dia do Metalúrgico;
22 de Abril - Descobrimento do Brasil, Dia da Aviação de Caça e Dia Mundial do Planeta Terra;
23 de Abril - Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor;
25 de Abril - Dia da Revolução dos Cravos em Portugal;
27 de Abril - Dia da Empregada Doméstica;
28 de Abril - Dia da Educação e Dia da Sogra;
29 de Abril - Dia Internacional da Dança.


E Abril é também o mês do meu aniversário, que como todos já perceberam, é uma data especial para mim e que levo muito a sério! Em que me empenho para ser um dos melhores momentos do ano, tanto para mim, como para os meus amigos e familiares.
Bem sei que pode parecer egocentrismo, mas é a mais pura verdade, gosto da atenção que recebo neste dia. De ter os telemóveis entupidos de mensagens e chamadas para me darem os Parabéns. E até tenho um Raking para ver quem são os primeiros, os últimos, e quem se esqueceu!
Mas parvoíces internas à parte, este ano quis registar aqui também o meu aniversário, a data em que dois seres decidiram (ou não), que eu deveria fazer parte deste Mundo! Este ano são 23, para o ano os 24, e espero que muitos mais por aí fora!
E os meus votos pessoais passam por uma mensagem que recebi ontem à noite e que passo a citar:

"Espero que consigas o Homem e o emprego que tanto desejas, mas espero acima de tudo que encontres a Paz Interior e auto confiança!"

E é isto!
Mais um ano.
Mais uma mudança.
Mais de mim, numa composição intemporal.
Mais de vocês na minha vida!
Mais disto aqui, no agora!

Parabéns a você...

domingo, 19 de abril de 2009

Quero Perceber-te!


Explica-me como é possível não parar de pensar em ti?
Diz-me o que aconteceu naqueles breves momentos que tivemos juntos e que agora prolongamos em palavras ditas durante dias?
Quero perceber o que está a acontecer. Comigo. Contigo. Connosco. Quero uma razão lógica, quero mais certezas, não quero tantas dúvidas.
Quero perder este medo. Quero que me expliques o que pretendes de mim, se estou a confundir os sentimentos. Se vejo horizontes onde nada existe. Se estás aí por educação, se porque até sou uma boa companhia à distância, ou se existe algo mais.
Não quero deixar de ter o que está a acontecer agora, mas também não me quero magoar. Não quero pressas, quero ir devagar, quero gozar o início. Mas o começo de quê? De uma amizade? De uma paixão?
Responde-me! Diz-me o que sentes e o que está no teu coração! Não percebes que não consigo entender até que ponto posso estar a ser correspondido? E se já percebeste que posso vir a apaixonar-me por ti, para além deste corpo que possuímos hoje, porque não te afastas se nada queres? Ou queres e eu não percebo? Ou simplesmente somos uma amizade, importante, e nada mais? Nada sei...
Só sei que quero continuar a conhecer-te. Quero mais da tua essência, mais do teu mundo, mais de ti! Quero ficar cada vez mais encantado e fechar os olhos e pensar sempre em ti. Já imaginei tanto contigo que se te contasse irias tremer. Já te sonhei e já recordei esse mesmo sonho, e olha que raramente me lembro dos sonhos, aqueles que tenho ao dormir.
Mas tu não me respondes. Não me explicas o que pretendes. Continuo a não perceber-te, a não saber o que está a acontecer. Fico aqui à luz das velas esperando que venhas até mim. Que aceites os jantares que te quero dar, os cinemas que quero ver contigo, os mimos que quero trocar contigo, os sorrisos que quero provocar-te, a partilha que quero ter contigo!
E tudo o que quero é não provocar um afastamento. Não te quero assustar, não te quero longe. Quero-te perto, demasiado perto. Quero sentir o teu odor correr nos meus poros, o teu silêncio colado no meu burburinho! Quero acreditar que somos capazes se assim tiver de ser! Quero perceber-te para me compreender. Quero ter a certeza que posso acreditar no que me dizem. Preciso de saber que o que sei é verdade, que o que seremos será real, que tudo não passa de um sonho bom, e que sim, é agora o momento!
Profundo? Precipitado? Ansioso? Só não quero alimentar palavras e sentimentos. Só não quero ficar afogado na margem do rio, quando ainda tinha pé! Quero perceber-te e nadar sem receios...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

As máscaras também choram!


Pedaço de metal, papel ou porcelana. Objecto pesado, cruel e artificial. Trabalho de tempo, compostura cuidada, fingimento falsário! Uso diário, frequente, ordinário...
Bloco de teatro. Representação? Palco de rua, de vida, de personalidade. Duas faces? Ou uma que se enterrou por vitória de outra? Escondimento. Medo. Ou naturalidade? Guião escrito em papel de seda, palavras pensadas numa atitude de vidro.
Destapa-te! Reage verdadeiramente. Não temas, não sofras em silêncio. Sai da tua concha e parte o pedaço que usas na face. Não entendes que esse utensílio te cobre a alma e que não te deixa viver? Destrói-te e renasce.
Questiona-te. Valerá a pena? Consequências... Respira fundo e luta! Hoje és, um dia serás. Deixa de correr para o teu mundo por pensares que não és capaz de o encarar. Não percebes que é de ti próprio que foges e que tudo isso é medo de te enfrentares? Levanta os braços e grita! Liberta-te. Sorri e desfruta do que és. Haverá magia maior ou mais soberba do que a dádiva de viver sem mentiras? E eu sei, por vezes é mais complicado dizer que fazer. Mas somos compostos de matéria nobre, mais resistente que o aço, capazes de ultrapassar as maiores batalhas.
E se soluças como uma criança de cinco anos. Se ainda sonhas como um adolescente de catorze, porquê recusar a própria essência? Não te sintas amedrontado, a vitória suprema é a tua e estamos sempre a tempo. Porque as máscaras também choram, e não precisas de o fazer na solidão. Vergonha, personificadas!
Carnaval humano, distâncias internas de quilómetros. Cordas que prendem os movimentos, os pés cimentados num chão de lodo. Máscaras que se entristecem quando percebem que são apenas isso, disfarce usado, pesadelo permanente, morada temporária!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ele, o sem medo!


Lá ia ele na sua caminhada desengonçada e meio atrapalhada. De cesta numa mão, guarda-chuva na outra, não fosse os aguaceiros começarem a cair sem ele estar à espera e precisar de se proteger. Pelo caminho ia contando as pedras que deixava para trás e que o faziam tropeçar vezes sem conta. Olhava para si constantemente e via as marcas dessas quedas. Os arranhões, as feridas, as dores que por vezes ainda sentia ao caminhar. E o ardor!
Dias e dias a andar e nunca parava, nunca se cansava, nunca desistia. Dias em que sorria para as pessoas que estavam ali à sua passagem, outros em que simplesmente se deixava alimentar das próprias lágrimas que escorriam do seu terno olhar. No coração uma força avassaladora capaz de destruir a maior muralha jamais erguida.
Na sua cesta de verga, herdada da sua gentil e doce avó trazia fruta fresca, algumas sandes, uma toalha lavada, malmequeres que havia colhido no caminho, entre outros objectos arrumados em casa. Uma espécie de capuchinho vermelho dos tempos modernos, ali personificado numa figura masculina, porque nem sempre a história tem de ser como se é contada.
E no meio da distracção, lá insistia o lobo mau em cruzar o seu caminho. Um lobo perigoso e matreiro, de diversas caras e feitios, de traços mascarados de ternura, com interior de raposa ardilosa. Ele, na sua fortaleza aparente contornava-o, assim como as tais pedras constantes, e prosseguia o seu caminho.
Sem mapa ou coordenadas, a viagem desenrolava-se como um papiro antigo... Voltas íngremes, planícies de miragens, pântanos perigosos, savanas de segredos. Uma e outra volta, esta e outra estrada, cruzamentos e entroncamentos... Lá seguia ele viagem, de pés descalços, de tronco firme, com a sua cesta e o chapéu-de-chuva. Se o virem passar por aí, não se preocupem, acenem docemente, um sorriso sincero e ele far-vos-á felizes! Ele, o sem medo....