domingo, 20 de setembro de 2009

Montanha-Russa


Começo por dizer que a vida é realmente tramada! Uma verdadeira montanha russa carregada de loopings, voltas, quedas e subidas que nos deixa muitas vezes enjoados e desnorteados. Será que não podemos estar isentos de curvas de 180 graus? Será que não existem linhas rectas sem obstáculos? Será que não existe uma segurança 100% fiável? Será sempre assim, bem sei.
Após iniciar este último quadrimestre do ano, apercebo-me de que talvez este ano de depressões e precipícios constantes não tenha sido somente um mau ano. Tento encarar a realidade por outro ponto de vista e apercebo-me de que esta fase pode também ter sido uma etapa de amadurecimento, de crescimento, de assimilar o adulto que sou hoje. Para trás ficou a minha personagem de criança, os sonhos e fantasias constantes, os medos, as pequenas vitórias.
Hoje o que faço tem uma repercussão diferente e é hora de saber viver com o que construí e continuo a construir para mim. Não posso permanecer sentado no chão do meu quarto a chorar uma tristeza vã por a vida não ser exactamente como esperava que fosse. É altura de limpar o pó acumulado e sair porta fora. Um dia de cada vez, com delicadeza, vou encarar o sol que brilha lá fora e dar a volta por cima! Este parque de diversões pode ser matreiro e tentar conduzir-me, mas eu serei mais astuto e a partir de agora serei eu o comandante do meu próprio navio!
Sei que lá fora ainda posso voltar a ser arquitecto dos meus próprios projectos e ser ainda o construtor dos mesmos! Só preciso de prosseguir viagem com esta força de vontade e tentar não cair se algum buraco surgir. Só tenho de aprender a aceitar-me, porque no fundo, não posso amar ninguém enquanto não me amar e não conseguir viver comigo mesmo!

domingo, 6 de setembro de 2009

Depois da Tempestade vem a Bonança


Será possível acreditar na teoria do "depois da tempestade vem a bonança"? É realmente verdade que após um período controverso e difícil em que o céu está constantemente enublado, finalmente o sol começa a rasgar os cinzas que pintam o tecto, para começar a iluminar um espaço escuro e de breu? Bem sei que me repito na muleta que uso agora aqui neste texto, mas quando os pontos de vista mudam, é bom mostrar que conseguimos ver os acontecimentos com outros olhos! Acho que começo a acreditar que sim, que tudo tem uma finalidade e que nada é por acaso.
É realmente necessário passarmos por períodos de dor e abismo próximo, para aprendermos a dar valor aos valores que de facto têm importância nas nossas vidas. É preciso os obstáculos para existir uma vitória real, desejada, merecida! De que nos serve adquirir as coisas sem esforço? Temos de aprender a saboreá-las e a vida encarrega-se de nos oferecer essa missão!
É bom chegar ao fim do dia cansado, derrotado até, mas com a consciência de que demos o nosso melhor e lutamos, uma vez mais! É óptimo depois de nos sentirmos partícula de pó, suja e vazia, começarmos a ver que afinal somos tão grandiosos como um Taj-Mahal, ou como a maior história de amor de todos os tempos! Entendermos que onde há ausência de cor hoje, pode existir um pantone repleto de cores, amanhã! O importante nesses momentos é não desistir e tentarmos preenchermo-nos do melhor que ainda temos na vida! Das pessoas, dos sentimentos, das pequenas coisas que ainda nos dão alegria. De sorrisos, de confortos, de esperanças!
O essencial nesta caminhada por vezes tão penosa é sabermos respeitar o curso natural da vida. Darmos tempo ao tempo para recebermos o retorno do que plantamos. Já diz a sabedoria popular que “saber esperar é uma grande virtude”, e não é à toa que esta sabedoria é tão sábia! Temos de ser pacientes e acreditar que por mais negra que a tela esteja pintada, o pintor vai colocar umas pinceladas de amarelo forte ou de laranjas fogo assim ao de leve.
Importante na vida é não baixar os braços! É não ficarmos à espera que a confusão se arrume sozinha. É não desistir porque nos estamos a afogar. Temos de respirar fundo, encher a boca com o ar salgado e fazer dele sopros mansinhos de esperança e garra!

sábado, 15 de agosto de 2009

Procuro entender uma razão que não existe. Compreensão de uma raça humana que nos surpreende diariamente, apagando por completo todas as dissertações antes escritas ou ditas. Somos inconstantes mutantes que se camuflam e adaptam, que se transformam e adequam às situações. Imprevisíveis na verdadeira ascensão da palavra, meticulosos e ardilosos.
É impossível prevermos quem seremos. Perceber o que hoje somos! Todos os dias são diferentes e por mais adjectivos em comum que tenhamos, somos diferentes do nosso semelhante. A partir daqui nasce a dúvida. Aquela que questiona o próprio mundo, inclusive o seu próprio Eu!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caminho...


Caminho um pouco embriagado nestas ruelas desconhecidas. Descalço e desamparado, roupas amarrotadas, de cigarro na mão, bolsa na outra, andar descompensado e desequilibrado. Os candeeiros de rua libertam uma luz de cor quente, um laranja fogo que cria sombras nas portadas das casas por onde vou passando, por detrás dos carros, até na própria calçada que piso. Não encontro ninguém, uma única alma viva que me indique onde estou.
Ainda sinto o paladar do vinho que havia estado a beber. O seu sabor mantém-se dentro da minha boca enrolando a minha língua. Sinto o odor a suor e a pastilhas de tabaco de mascar, álcool entornado em cima da toalha vermelha e rendada na bainha. O empregado que educado me servia mais um copo, para além do que devia beber. Apreensivo no final da noite, encaminhando-me a saída. Os olhares de soslaio à minha volta, demasiado penosos para conseguir suportar. A minha demência ali exposta como notícia de primeira página.
Saí perdido do bar. Desconhecia quem eu era, o que ali fazia, toda uma memória apagada em horas. Conversei comigo mesmo, questionando-me acerca de todas as dúvidas existenciais que podiam existir. Borbulhava no meu interior um medo arrogante e pegajoso, um receio de descobrir o que quer que fosse. Não encontrava respostas nem a quem as perguntar, estava agora sozinho dentro de mim.
Caminho. Não sozinho, a minha solidão acompanha-me como fiel amiga. Na bolsa o telemóvel sem bateria, já havia tentado ligar a quem quer que fosse, mesmo que fosse mais um desconhecido que fazia parte da minha existência. As chaves de uma casa que não conhecia a morada. Um bloco com apontamentos confusos e que não faziam sentido. Caneta, preservativos, pastilhas, tabaco. Tiro outro cigarro e sento-me no degrau do passeio a apreciar o silêncio da cidade. Por momentos, breves, apreciei a solidão na sua magnificência, quando ela consegue ser brilhante e libertadora. Depois. Depois chorei como só uma criança o consegue fazer.
Deitei-me no alcatrão, não me importando se sujava a roupa. Sentia a humidade da noite cair-me no rosto, uma neblina que se aproximava. Queria permanecer ali eternamente. Deitado, imóvel, quase que sem sentidos. Aguardar a chegada de um amanhecer que tardava em surgir nos telhados destes prédios que me envolviam como as mantas da minha velhinha avó.
Caminho. Corpo amarrotado. Olhos molhados. Caminho sem rumo. Vou por aí na esperança vã de voltar a descobrir quem sou…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Solidão!


Solidão.
Terrível e dolorosa solidão.
Sentado, escutando o silêncio da minha existência, sinto-me preso num sufoco talvez criado por mim. Nada ao meu redor. Um nada vazio, preenchido de ausências.
Solidão.
Aquela que se arrasta com o passar do tempo. A que permanece num crescente assustador, demasiado real para ser invisível. Rodeado de pessoas, cada vez me sinto mais só. E um a um, vou afastando todos aqueles que sempre estiveram presentes, de mãos esticadas prontas a amparar-me.
Solidão.
Entrego-me. Não quero combater mais. Não quero mais guerras onde o final é sempre igual. Cedo o meu território sem pedir nada em troca. Gentilmente vou deixado o inimigo desbravar o meu campo, indefeso, coberto de uma aragem pesada e doentia. Sentado. Aqui sentido as ervas secas que outrora estavam pintadas de verdes e laranjas, de cores garridas e bonitas.
Solidão?
Mais que nunca!
Cercado de gentes que se distraem com os seus caminhos, não quero saber de nada nem de ninguém. Permaneço assim, dissimulado, empenhado em que tudo perca o seu sentido para ficar assim, só.
Solidão. Forte. Vencedora!
Sinto-me cada vez mais fraco. Doente. Preso a algo que já nem questiono o que é. Já não quero saber de dúvidas, de questões, de me encontrar, do saber. Quero estar assim, a deixar de andar por vontade, mas por favor e porque não posso permanecer todos os dias entregue ao aconchego da minha cama. Fingindo, levanto-me diariamente e continuo o meu destino, como se eu próprio soubesse para onde vou.
Solidão. Mascarada com um sorriso. Cegueira graciosa e palhaçada dos invisuais que me rodeiam e que não me percebem! Sempre fui um bom actor!
Solidão! Entrego-me a qualquer um. O meu corpo vai e dá-se a quem quiser aceitar, apenas para colmatar a falta que sinto e que não consigo resolver por não ter mais força. Por momentos, sou de alguém, não sendo nem de mim próprio. Como se o meu corpo estivesse possuído por uma entidade que desconheço o nome e que me comanda sem a minha permissão. Ou terei já eu assinado o contracto de aluguer deste corpo defecado por falta de beleza?
O espelho. Mostra-me a minha solidão. O meu reflexo nas águas turvas deste rio que passa nos meus pés deixa-me ver o que na realidade hoje sou. O reflexo de um sonho que não se realizou e que será eternamente isso, uma utopia!
Solidão.
Sou teu. Eternamente! Não vou lutar mais pelo que não está destinado a ser.
Desisto!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Até Breve!


Cegos!

Sacanas invisuais!
Ignorantes egocêntricos sedados pela sua esfera egoísta.
Porra, estou farto. Desisto. Não vale a pena. Para quê? Porquê? Como?

Parto sem data de retorno. Vou para onde os meus pés me levarem. Sigo numa tentativa frustrada de tentar remediar o pouco que sobrou do que sou! Casa que sofreu com as labaredas da humanidade que se tenta reconstruir agora.

Preciso de espaço.
De tempo.
De solidão.

Preciso de me voltar a encontrar, de voltar a reconhecer o meu nome.
Necessito de algo que ainda não sei o que é! Mas que anseio impaciente descobrir.

Um dia voltarei.
Um dia regressarei mais composto e refeito da derrota da vida.
Um dia...


Até breve!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Confusão Interna Eterna


O que se passa dentro da minha cabeça? Que confusão eterna entre o certo e o errado é esta que nunca me deixa agir? Sou tão vago que chego a ser parte do sinónimo desta palavra no dicionário. Este duelo sempiterno entre a razão e o coração, esta batalha interna que travo diariamente e que não me dá descanso um dia que seja. Porque é que quero sempre estragar tudo quando a totalidade do que existe é tão aparentemente benéfica para o meu ser? Porquê desistir de pintar um quadro que se começa a transformar numa bela peça de arte? Porque é que desisto? Porque é que tenho receio de continuar preferindo fugir e começar tudo outra vez? Porquê? Porquê estes porquês constantes e sufocantes? Acho que vou tatuar um ponto de interrogação no meu corpo, nada melhor para me definir do que este sinal de pontuação.
Há já muito que deixei de compreender porque é que existe esta diferença tão díspar entre o que quero e o que na realidade executo. Não entendo porque digo que almejo uma história de amor intensa, sincera, a verdadeira ascensão da palavra entrega, uma relação real e duradoura, e no final acabo por me distrair com o que se passa ao meu redor, desistindo de tentar, acabando por terminar entediado e sem vontade de permanecer forte e estável. O que se passa comigo? Não estarei preparado apesar de sentir que o que quero é mais certo do que o que faço? Ainda não aprendi a controlar-me? A lidar comigo? Ou será que sou mesmo assim e o desenlace é entregar-me à habituação desta perturbação psicológica? Preciso de respostas, soluções que nunca chegam, remédios que não se encontram à venda na farmácia!
E já nem sei em que estado me sinto. Se estou eufórico ou deprimido, feliz ou assoberbado por uma tristeza doentia. Só sei que não consigo deixar de me sentir inútil, lixo, um idiota daqueles sem ideias! Sei que já nada faz sentido e que sou uma garrafa a boiar no longo oceano. Cheia de turbilhões, com a rolha prestes a saltar, mas brilhante no exterior.
Tenho o hábito de mostrar o oposto do que sinto quando me sinto em baixo. Serei uma espécie de esquizofrénico mesmo não tendo rompido o contacto com o mundo exterior? Incoerente mental? Que sou? Que construi dentro de mim? Um monstro do sentir? Uma aberração que sente ferozmente mas passageiramente, ludibriando todos à sua volta com romances que na realidade não passam de mais um momento volútel? Que espécie de perversão é esta que não consigo controlar? Sinto-me colossal com tanto nojo! Confuso nesta imensidão pertubadora que se originou dentro de mim. Basta de arruinar sempre tudo!