segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quebrado!




         
        Quebrado. Olho para o chão e vejo o meu corpo quebrado em mil pedaços de vidro. Mesmo assim tento alcançar um, cortando-me. Escorre sangue! Escorrem lágrimas do meu coração. Desgraçado. No chão à espera que alguém varra os cacos do que outrora fui.
        Amedrontado. Agora compreendo de que sou o meu maior inimigo. Quando chorava por não entender o porquê do meu sofrimento, a resposta estava mesmo ali, no espelho que tantas vezes viu as lágrimas escorrerem do meu rosto.
       Quero colar-me novamente e tentar encontrar uma saída mas receio ser incapaz. Como é possível todos já terem seguido e eu nem saber onde começar? Desgraça! Sou a minha própria desgraça. Veneno mortal.
        Sinto-me tão morto. Tão em falta de tudo. Sou um imbecil porque pela primeira vez alcancei tudo o que almejava e agora joguei tudo pela janela fora.
          Não sei se quero ficar. Não sei se quero partir. Já não sei se quero continuar a ser. Estou sufocado na minha própria saliva. O meu comando é cada vez mais mortal e a fuga parece ser a única escapatória! Mas para onde? Sinto que já nada tenho a dizer ou fazer. E para quê recomeçar se nunca chego a terminar? Destruído.
          E afinal de contas existem mãos estendidas prontas a receberem-me no seu colo. E mesmo aquelas que se recolhem agora quando novamente preciso, podem partir porque no fim sou eu que tenho de viver comigo.
           Já vivi guerras que julguei nunca vencer. Já travei batalhas que mesmo derrotado consegui sobreviver, reconstruindo as partes quebradas. Mas esta luta que enfrento agora é algo tão assustador que não sei se consigo sair vitorioso. Como se pode vencer quando o adversário somos nós próprios? Dor!
         Isto é um conflito que me persegue há demasiado tempo. São respostas que necessito urgentemente de encontrar. São perguntas que preciso parar de colocar. São sentimentos que não sei sentir, emoções adormecidas que acordam quando não quero.
         Sou duas pessoas diferentes. Sou duas coisas distintas. Sou um corpo que precisava de ser finalmente reciclado. Mas esta repulsa que sinto por mim agora é vencedora e as saídas estão todas encobertas pelo ódio do que sou. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Hoje Apetece-me...

           

            Hoje apetece-me!
            Hoje apetece-me panquecas ao pequeno-almoço e o teu sorriso matinal.
            Hoje apetece-me apodrecer no sofá e ver aqueles filmes pirosos de domingo.
            Hoje apetece-me chuva na janela, labaredas na lareira e chá na mesa.
            Hoje apetece-me...
            Apetece-me apenas o simples apetecer de um doce. Apetece-me sal e pimenta também.
            Hoje apetece-me todos os sabores, todas as cores, todos os cheiros. Hoje apetece-me tudo! Mas também não me apetece nada.
            Hoje apetece-me ser invisível. Deambular na rua sem ser visto. Correr desnudo num parque com o sol a bater forte na minha cara e ninguém reparar na minha loucura. Hoje apetece-me o ridículo.
            Hoje apetece-me melodia. Cantar todas as musicas que conheço. Hoje apetece-me ate mesmo fingir que sei francês e cantar todas aquelas canções de que gosto. Hoje apetece-me.
            Hoje apetece-me viajar. Deitar-me no chão molhado e viajar. Perder-me na minha mente tão fértil em imaginação e imaginar. Repetir vezes sem conta, todas as vezes que me apetecer. Hoje apetece-me o desejo. Não. Hoje apetece-me muitos desejos.
            Hoje. Hoje sei que me apetece. Hoje não me apetece pensar no futuro. Hoje não me chateiem com as perguntas do costume. Hoje apetece-me silencio... E amanha?
Não me apetece.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Esta estrada...


             Sigo. Rastejo... Tento levantar-me!

Sangro. Tropeço, as mãos estendem-se. Nenhuma consegue agarrar-me.

Choro. Chove. Caiem inúmeras gotas no meu rosto encharcando-me.

Desisto.

Esta estrada esburacada cercada por soldados de pedra faz-me sentir derrotado. Olho para o céu em busca de respostas, mas as nuvens cercam os olhos de Deus e já não me sinto seguro.
             Outrora senti-me abençoado, agora sinto-me somente blasfémia. O cansaço apodera-se do meu corpo e nem mesmo o amor aquece o meu coração. Ando às voltas dentro de mim mesmo e vomito ódio. Rancor. Nojo. O escárnio sujo na minha pele faz-me sentir podre.
             E porque? Porque é que complico quando tudo se mostra tão fácil? Porque é que insisto em escolher as saídas mais difíceis quando encontro outras iluminadas pela luz da paz? Esta tudo aqui estendido no chão. Tudo tão a mão de semear. Tudo tão fácil de colher... Mas não. Prefiro sentar-me na minha poça de dor porque sofrer é mais fácil. O habito do sofrimento é tão mais forte em mim que tentar ser feliz e na realidade se-lo é tão confuso e obtuso que assim que posso tenho de danificar a minha colheita.
             Labirinto. O caminho parecia tão linear, tão sem falhas, tão a direito. Porque é que me perdi? Serei cego? Ou será que não quero ver? Ser? O problema é que não gosto do fácil e que continuo sem saber o que quero. O que amo. O problema é que por mais que mude o cenário nunca me vou sentir personagem principal. Vou sempre criticar o argumento. Irei sempre dizer que a culpa não é minha pela minha medíocre representação.
             Cansado. Cansado da desilusão. Cansado de não ser o que espero de mim próprio. Cansado de não estar à altura das expectativas. Cansado de não saber. Cansado de me enganar e continuar a acreditar nas minhas próprias mentiras. Repulsa!
            Sento-me. Sento em qualquer lado sem importar se sujo as calças. Eu sei que sujo já eu estou. O olhar que deixa de brilhar. A luz que se parece apagar. A estrada que se parece cada vez mais sem saída. Haverá ainda salvação? Haverá ainda muito mais por escrever? E Deus? Onde foi?
Dizem que a dor é o melhor condutor para a escrita. É por isso que estou de volta a estes parágrafos que tanto me viram dissecar a minha vida. Não sei ate quando irei continuar, talvez até quando a tristeza terminar... Ate la, preciso dos desabafos, preciso das palavras no papel novamente.

domingo, 17 de abril de 2011


O tempo, ou a falta dele, mantiveram-me em cativeiro. Ali preso no soalho do meu quarto. As folhas e a tinta olhavam-me com esgar, numa zombaria constante por me verem tão perdido que já nem escrever conseguia.

Demorei o meu tempo a tentar perceber o que se passava... Falta de imaginação? Alguma crise de suposto autor? Simplesmente uma amargura já tão demasiado pesada que erguer o braço para se escrever se tornava no maior dos meus obstáculos.

Mas ao fim de tanto tempo fui sobressaltado por uma vontade julgada já rendida e distante, e julgo que estou aqui novamente. Veremos quanto dura. Só espero que me ajude a dizer em silêncio tudo o que preciso de gritar!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Há tanto que pouco me dão...


Preciso de puxar um pouco ao sentimento. De desapertar o nó que foi dado na garganta. De soltar a voz nas palavras, numa espécie de desabafo, inaudível, apenas sonoro quando lido em voz alta.
No recanto do meu quarto, previamente criado e decorado para ser o meu canto especial em casa, encontro-me comigo e com o meu coração, aquele que devia estar machucado mas que eu insisto em sarar colocando constantemente pensos rápidos para não ter de enfrentar a dor. Deixá-lo quebrar porque se sente só? Para quê? Não preciso de sofrimento quando já pouca alegria possuo. Tristeza…
Sinto a luz ténue percorrer o meu corpo, vejo as sombras criadas no caderno pela minha mão que incansável escreve para não arrefecer o meu pensamento que fervilha numa inquietude penetrante e angustiante.
Como é possível estar tão rodeado e ao mesmo tempo estar tão despojado? Que pretendem de mim aqueles que chegam de mãos cheias de nada e de falsas promessas? Escuto. A minha respiração, o cortinado roçar a janela provocado pela brisa fraca que toma de assalto o arrepio da pele. Escuto. O movimento na rua, os candeeiros que agora iluminam a noite que chegou mais cedo. A lágrima que percorre o meu rosto… O sabor acre da solidão.
Que vem aí? Quando chegará até mim?
Quero entregar-me, quero ser eu, quero se aconchegado. Mas o carinho não chega, o abraço fica longe, e só ter uma amizade não é suficiente.
Sinto-me egoísta! Sinto-me amarrado a um egoísmo idiota e arrogante por me deixar ir abaixo, por me sentir só e estar cansado de ter apenas um vislumbre do que preciso, agora!
Não quero mais brincar. Não quero mais que tenha de ser tudo tão complexo e complicado. Não quero mais ser somente eu. Preciso de um sorriso, sincero. De uma mão dada, quando o meu mundo ruir. De um olhar em segredo, para me aconchegar. De um afecto a dois, de uma compreensão, de mais do que um amigo. Estarei a ser pretensioso ao pedir demais? Como, se há tanto que pouco me dão…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ansiedade


Ansiedade. Feroz e inquietante.
Ansiedade. Mordaz e autoritária.
Ansiedade!
Estado de espírito inquieto e que me tira o sono, pesadelo noctívago que me ataca sem piedade, mente que fervilha velozmente perdida entre mil e um pensamentos. Ansiedade. O batimento cardíaco acelerado, a pulsação que corre sem parar, os olhos abertos, cansados, como se esperassem uma qualquer reacção. Esgotado.
O corpo treme, a voz falha, tudo geme.
Os sonhos reinam num reino mal governado, a salvação que tarda em não chegar, e aí, a ansiedade. Sofrimento de quem espera o que não sabe se há-de vir, impaciência.
A alma que se embrulha no fervor desta emoção, a saliva acre de cinzas passadas, pesadas, na língua. O odor carregado que esgota o ar e que me sufoca incessantemente. O espaço que se torna demasiado claustrofóbico e pequeno para o meu ser rendido à esquizofrenia de tentar raciocinar.
Ansiedade?
As crenças vacilantes, os receios, as questões por deslindar. O anseio.
As dúvidas existenciais, a personalidade posta à prova num torneio sem regras ou arbitragem corrupta. O chão que se desfia debaixo dos meus pés, o abismo constante de quem cai, cego, sem tacto. As certezas que nunca são certas, o positivismo ao qual se tenta agarrar com afinco.
Rasgo o tecido que me cobre. De tesoura na mão, corto cada linha que une os trapos que uso para me proteger do frio que nem existe. Despido, nu, intocável. Assim entregue à mercê de quem quiser chegar, de quem quiser esticar a mão, ao desaconchego de uma outra insónia. Uma esmola que não bate no chapéu, uma melodia que ficou presa no acordeão.
Ansiedade… Que me ataca e apedreja numa espécie de batalha que não escolhi fazer parte, numa guerra em que apenas quero paz.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Já não...


Já não me imagino.
Já não sonho como outrora.
Já não sinto o meu odor, o paladar das minhas lágrimas que secaram.
Já não há nada, um vazio dentro de um todo que não consigo tocar.
Onde estou? Perdido dentro de mim. Baralhado neste ventre que eu próprio criei. Iludido? Ludibriado? Confuso… Supostamente um encontro comigo mesmo, um vislumbro de uma luz julgada extinta. Mas nada. Nada surge escrito no meu livro e prossigo descalço, novamente.
Já não é hora?
Já não é hora de por um momento algo estar resolvido?
Pode parecer que estou livre, mas continuo preso a esta teia pegajosa de dúvidas e insatisfações. De mágoas e contradições. De becos sem saídas e estradas sem sentido. Onde?
Onde sou?
Onde faço?
Onde quero?
O que quero? O que faço? O que sou? O quê, onde?
Já não… Já não encaixo as palavras no meu raciocínio, que quebrado já quase não existe. Já não encontro o que perdi, nem chego a perder porque nada há por despegar. Já não sinto a dor, a cruel e violenta.
Já não…
Hoje.
Quem sabe amanhã…

domingo, 20 de setembro de 2009

Montanha-Russa


Começo por dizer que a vida é realmente tramada! Uma verdadeira montanha russa carregada de loopings, voltas, quedas e subidas que nos deixa muitas vezes enjoados e desnorteados. Será que não podemos estar isentos de curvas de 180 graus? Será que não existem linhas rectas sem obstáculos? Será que não existe uma segurança 100% fiável? Será sempre assim, bem sei.
Após iniciar este último quadrimestre do ano, apercebo-me de que talvez este ano de depressões e precipícios constantes não tenha sido somente um mau ano. Tento encarar a realidade por outro ponto de vista e apercebo-me de que esta fase pode também ter sido uma etapa de amadurecimento, de crescimento, de assimilar o adulto que sou hoje. Para trás ficou a minha personagem de criança, os sonhos e fantasias constantes, os medos, as pequenas vitórias.
Hoje o que faço tem uma repercussão diferente e é hora de saber viver com o que construí e continuo a construir para mim. Não posso permanecer sentado no chão do meu quarto a chorar uma tristeza vã por a vida não ser exactamente como esperava que fosse. É altura de limpar o pó acumulado e sair porta fora. Um dia de cada vez, com delicadeza, vou encarar o sol que brilha lá fora e dar a volta por cima! Este parque de diversões pode ser matreiro e tentar conduzir-me, mas eu serei mais astuto e a partir de agora serei eu o comandante do meu próprio navio!
Sei que lá fora ainda posso voltar a ser arquitecto dos meus próprios projectos e ser ainda o construtor dos mesmos! Só preciso de prosseguir viagem com esta força de vontade e tentar não cair se algum buraco surgir. Só tenho de aprender a aceitar-me, porque no fundo, não posso amar ninguém enquanto não me amar e não conseguir viver comigo mesmo!

domingo, 6 de setembro de 2009

Depois da Tempestade vem a Bonança


Será possível acreditar na teoria do "depois da tempestade vem a bonança"? É realmente verdade que após um período controverso e difícil em que o céu está constantemente enublado, finalmente o sol começa a rasgar os cinzas que pintam o tecto, para começar a iluminar um espaço escuro e de breu? Bem sei que me repito na muleta que uso agora aqui neste texto, mas quando os pontos de vista mudam, é bom mostrar que conseguimos ver os acontecimentos com outros olhos! Acho que começo a acreditar que sim, que tudo tem uma finalidade e que nada é por acaso.
É realmente necessário passarmos por períodos de dor e abismo próximo, para aprendermos a dar valor aos valores que de facto têm importância nas nossas vidas. É preciso os obstáculos para existir uma vitória real, desejada, merecida! De que nos serve adquirir as coisas sem esforço? Temos de aprender a saboreá-las e a vida encarrega-se de nos oferecer essa missão!
É bom chegar ao fim do dia cansado, derrotado até, mas com a consciência de que demos o nosso melhor e lutamos, uma vez mais! É óptimo depois de nos sentirmos partícula de pó, suja e vazia, começarmos a ver que afinal somos tão grandiosos como um Taj-Mahal, ou como a maior história de amor de todos os tempos! Entendermos que onde há ausência de cor hoje, pode existir um pantone repleto de cores, amanhã! O importante nesses momentos é não desistir e tentarmos preenchermo-nos do melhor que ainda temos na vida! Das pessoas, dos sentimentos, das pequenas coisas que ainda nos dão alegria. De sorrisos, de confortos, de esperanças!
O essencial nesta caminhada por vezes tão penosa é sabermos respeitar o curso natural da vida. Darmos tempo ao tempo para recebermos o retorno do que plantamos. Já diz a sabedoria popular que “saber esperar é uma grande virtude”, e não é à toa que esta sabedoria é tão sábia! Temos de ser pacientes e acreditar que por mais negra que a tela esteja pintada, o pintor vai colocar umas pinceladas de amarelo forte ou de laranjas fogo assim ao de leve.
Importante na vida é não baixar os braços! É não ficarmos à espera que a confusão se arrume sozinha. É não desistir porque nos estamos a afogar. Temos de respirar fundo, encher a boca com o ar salgado e fazer dele sopros mansinhos de esperança e garra!

sábado, 15 de agosto de 2009

Procuro entender uma razão que não existe. Compreensão de uma raça humana que nos surpreende diariamente, apagando por completo todas as dissertações antes escritas ou ditas. Somos inconstantes mutantes que se camuflam e adaptam, que se transformam e adequam às situações. Imprevisíveis na verdadeira ascensão da palavra, meticulosos e ardilosos.
É impossível prevermos quem seremos. Perceber o que hoje somos! Todos os dias são diferentes e por mais adjectivos em comum que tenhamos, somos diferentes do nosso semelhante. A partir daqui nasce a dúvida. Aquela que questiona o próprio mundo, inclusive o seu próprio Eu!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caminho...


Caminho um pouco embriagado nestas ruelas desconhecidas. Descalço e desamparado, roupas amarrotadas, de cigarro na mão, bolsa na outra, andar descompensado e desequilibrado. Os candeeiros de rua libertam uma luz de cor quente, um laranja fogo que cria sombras nas portadas das casas por onde vou passando, por detrás dos carros, até na própria calçada que piso. Não encontro ninguém, uma única alma viva que me indique onde estou.
Ainda sinto o paladar do vinho que havia estado a beber. O seu sabor mantém-se dentro da minha boca enrolando a minha língua. Sinto o odor a suor e a pastilhas de tabaco de mascar, álcool entornado em cima da toalha vermelha e rendada na bainha. O empregado que educado me servia mais um copo, para além do que devia beber. Apreensivo no final da noite, encaminhando-me a saída. Os olhares de soslaio à minha volta, demasiado penosos para conseguir suportar. A minha demência ali exposta como notícia de primeira página.
Saí perdido do bar. Desconhecia quem eu era, o que ali fazia, toda uma memória apagada em horas. Conversei comigo mesmo, questionando-me acerca de todas as dúvidas existenciais que podiam existir. Borbulhava no meu interior um medo arrogante e pegajoso, um receio de descobrir o que quer que fosse. Não encontrava respostas nem a quem as perguntar, estava agora sozinho dentro de mim.
Caminho. Não sozinho, a minha solidão acompanha-me como fiel amiga. Na bolsa o telemóvel sem bateria, já havia tentado ligar a quem quer que fosse, mesmo que fosse mais um desconhecido que fazia parte da minha existência. As chaves de uma casa que não conhecia a morada. Um bloco com apontamentos confusos e que não faziam sentido. Caneta, preservativos, pastilhas, tabaco. Tiro outro cigarro e sento-me no degrau do passeio a apreciar o silêncio da cidade. Por momentos, breves, apreciei a solidão na sua magnificência, quando ela consegue ser brilhante e libertadora. Depois. Depois chorei como só uma criança o consegue fazer.
Deitei-me no alcatrão, não me importando se sujava a roupa. Sentia a humidade da noite cair-me no rosto, uma neblina que se aproximava. Queria permanecer ali eternamente. Deitado, imóvel, quase que sem sentidos. Aguardar a chegada de um amanhecer que tardava em surgir nos telhados destes prédios que me envolviam como as mantas da minha velhinha avó.
Caminho. Corpo amarrotado. Olhos molhados. Caminho sem rumo. Vou por aí na esperança vã de voltar a descobrir quem sou…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Solidão!


Solidão.
Terrível e dolorosa solidão.
Sentado, escutando o silêncio da minha existência, sinto-me preso num sufoco talvez criado por mim. Nada ao meu redor. Um nada vazio, preenchido de ausências.
Solidão.
Aquela que se arrasta com o passar do tempo. A que permanece num crescente assustador, demasiado real para ser invisível. Rodeado de pessoas, cada vez me sinto mais só. E um a um, vou afastando todos aqueles que sempre estiveram presentes, de mãos esticadas prontas a amparar-me.
Solidão.
Entrego-me. Não quero combater mais. Não quero mais guerras onde o final é sempre igual. Cedo o meu território sem pedir nada em troca. Gentilmente vou deixado o inimigo desbravar o meu campo, indefeso, coberto de uma aragem pesada e doentia. Sentado. Aqui sentido as ervas secas que outrora estavam pintadas de verdes e laranjas, de cores garridas e bonitas.
Solidão?
Mais que nunca!
Cercado de gentes que se distraem com os seus caminhos, não quero saber de nada nem de ninguém. Permaneço assim, dissimulado, empenhado em que tudo perca o seu sentido para ficar assim, só.
Solidão. Forte. Vencedora!
Sinto-me cada vez mais fraco. Doente. Preso a algo que já nem questiono o que é. Já não quero saber de dúvidas, de questões, de me encontrar, do saber. Quero estar assim, a deixar de andar por vontade, mas por favor e porque não posso permanecer todos os dias entregue ao aconchego da minha cama. Fingindo, levanto-me diariamente e continuo o meu destino, como se eu próprio soubesse para onde vou.
Solidão. Mascarada com um sorriso. Cegueira graciosa e palhaçada dos invisuais que me rodeiam e que não me percebem! Sempre fui um bom actor!
Solidão! Entrego-me a qualquer um. O meu corpo vai e dá-se a quem quiser aceitar, apenas para colmatar a falta que sinto e que não consigo resolver por não ter mais força. Por momentos, sou de alguém, não sendo nem de mim próprio. Como se o meu corpo estivesse possuído por uma entidade que desconheço o nome e que me comanda sem a minha permissão. Ou terei já eu assinado o contracto de aluguer deste corpo defecado por falta de beleza?
O espelho. Mostra-me a minha solidão. O meu reflexo nas águas turvas deste rio que passa nos meus pés deixa-me ver o que na realidade hoje sou. O reflexo de um sonho que não se realizou e que será eternamente isso, uma utopia!
Solidão.
Sou teu. Eternamente! Não vou lutar mais pelo que não está destinado a ser.
Desisto!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Até Breve!


Cegos!

Sacanas invisuais!
Ignorantes egocêntricos sedados pela sua esfera egoísta.
Porra, estou farto. Desisto. Não vale a pena. Para quê? Porquê? Como?

Parto sem data de retorno. Vou para onde os meus pés me levarem. Sigo numa tentativa frustrada de tentar remediar o pouco que sobrou do que sou! Casa que sofreu com as labaredas da humanidade que se tenta reconstruir agora.

Preciso de espaço.
De tempo.
De solidão.

Preciso de me voltar a encontrar, de voltar a reconhecer o meu nome.
Necessito de algo que ainda não sei o que é! Mas que anseio impaciente descobrir.

Um dia voltarei.
Um dia regressarei mais composto e refeito da derrota da vida.
Um dia...


Até breve!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Confusão Interna Eterna


O que se passa dentro da minha cabeça? Que confusão eterna entre o certo e o errado é esta que nunca me deixa agir? Sou tão vago que chego a ser parte do sinónimo desta palavra no dicionário. Este duelo sempiterno entre a razão e o coração, esta batalha interna que travo diariamente e que não me dá descanso um dia que seja. Porque é que quero sempre estragar tudo quando a totalidade do que existe é tão aparentemente benéfica para o meu ser? Porquê desistir de pintar um quadro que se começa a transformar numa bela peça de arte? Porque é que desisto? Porque é que tenho receio de continuar preferindo fugir e começar tudo outra vez? Porquê? Porquê estes porquês constantes e sufocantes? Acho que vou tatuar um ponto de interrogação no meu corpo, nada melhor para me definir do que este sinal de pontuação.
Há já muito que deixei de compreender porque é que existe esta diferença tão díspar entre o que quero e o que na realidade executo. Não entendo porque digo que almejo uma história de amor intensa, sincera, a verdadeira ascensão da palavra entrega, uma relação real e duradoura, e no final acabo por me distrair com o que se passa ao meu redor, desistindo de tentar, acabando por terminar entediado e sem vontade de permanecer forte e estável. O que se passa comigo? Não estarei preparado apesar de sentir que o que quero é mais certo do que o que faço? Ainda não aprendi a controlar-me? A lidar comigo? Ou será que sou mesmo assim e o desenlace é entregar-me à habituação desta perturbação psicológica? Preciso de respostas, soluções que nunca chegam, remédios que não se encontram à venda na farmácia!
E já nem sei em que estado me sinto. Se estou eufórico ou deprimido, feliz ou assoberbado por uma tristeza doentia. Só sei que não consigo deixar de me sentir inútil, lixo, um idiota daqueles sem ideias! Sei que já nada faz sentido e que sou uma garrafa a boiar no longo oceano. Cheia de turbilhões, com a rolha prestes a saltar, mas brilhante no exterior.
Tenho o hábito de mostrar o oposto do que sinto quando me sinto em baixo. Serei uma espécie de esquizofrénico mesmo não tendo rompido o contacto com o mundo exterior? Incoerente mental? Que sou? Que construi dentro de mim? Um monstro do sentir? Uma aberração que sente ferozmente mas passageiramente, ludibriando todos à sua volta com romances que na realidade não passam de mais um momento volútel? Que espécie de perversão é esta que não consigo controlar? Sinto-me colossal com tanto nojo! Confuso nesta imensidão pertubadora que se originou dentro de mim. Basta de arruinar sempre tudo!

sábado, 11 de julho de 2009

Vida Paralisada!

Sinto a minha vida paralisada!
Acabo de encontrar um novo fulgor, talvez uma novidade que precisava para me voltar a sentir vivo e desejado, mas será suficiente? As minhas pretensões são bem maiores e esta nova paixão que experiencio agora não me chega para me voltar a sentir.
Deus, se existe, deu-me asas para voar, mas parece que insiste em manter-me aprisionado a um lugar do qual quero sair desesperadamente. Se está lá em cima a comandar-me, como pode ser tão cego a ponto de ver que quero muito mais que estes horários trocados, esta cama que me acolhe de vez em quando, esta vida estagnada e cada vez mais idiota. Sentado, nada faz? Como pode ser tão insensível vendo-me chorar e nada fazer para me fornecer um sorriso? Não serei eu também merecedor?
Novamente esta noite de estrelas inalcançáveis da minha varanda, estas palavras que me fogem do silêncio, esta lua nova desaparecida, personificada no meu gracejo quase extinto. Até a minha sensibilidade sinto escapar pela porta de casa. Resignado, fumo outro cigarro enquanto esmago a aragem de verão contra a janela do meu quarto.
Paralisada. A minha vida.
Ando por aí a deambular. A viver um dia de cada vez. Tornam-se cada vez mais pesados e insustentáveis de suportar estes dias sem consistência ou qualquer matéria. Só quero desistir. A paciência dissipasse por entre a chuva que vai caindo durante a estação.
Só quero estar drogado. Isolar o meu pensamento numa caixa de Pandora, demasiado perigoso para libertar! O meu pensar obriga-me a exercer o poder de reflectir e eu não quero. Mecânico. Robótico. É o que pretendo. Tenho medo de que volte a tristeza até mim e de me sentir na podridão novamente.
Estou tão farto desta impotência! Desta batalha de solidão. Deste sôfrego que sinto no peito e que ninguém consegue arrancar. Até de chorar, de gritar a minha dor aqui, até disto tudo estou cansado. Parece que já nada vale a pena e que os sonhos de criança são somente isso, sonhos! E que agora a vida é apenas isto, sobreviver a mais um dia, ser o que nos dão e tentar fazer disso o melhor possível. Parece que sou obrigado a viver sem o que almejo para mim e construir tudo de forma diferente. Habituo-me à ideia de que não terei e de que serei um eterno mendigo à mercê das vontades dos que me dão migalhas de merda!
O que me vai acontecer a partir daqui? Como será o futuro? Não pretendo saber.
Embrulhei as esperanças em papel vegetal junto com as minhas lembranças de outrora, aquelas demasiado infantis e inocentes. Ficaram ali guardadas ou pé do meu retrato de quando ainda pensava que iria conseguir vencer e superar as minhas próprias expectativas! Tudo junto numa caixa de cartão debaixo do colchão.
Agora, sento-me neste mosaico frio e desisto. Acabou! Chega de esperar pelo que não vem. Não tenho mais nada para além de um copo meio cheio de vazio. Hoje durmo aqui no chão. Amanhã deixar-me-ei apenas levar. Irei por aí, sem objectivos, sem ideias, sem sonhos. Serei apenas eu e um vazio assombroso no olhar.
Uma vida estagnada!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Será por te ter aqui?


Não me interessa se as tradições me dizem que devo ir com calma e disfarçar o sentimento que tenho neste momento! Chego à conclusão de que ninguém sabe nada e de que os hábitos foram criados por quem tem medo de arriscar e viver. E eu cheguei ao limite dos terrores corrosivos. Deitei fora todos os meus receios mordazes e joguei-os pela janela. Sou hoje mais bravo e corajoso. Será por ter ter aqui?

Sinto-te como um refresco numa tarde de calor. Como uma pedra de gelo que me estala a pele seca. Uma espécie de respirar fundo iluminado de boa energia e carinho. Sinto-te como se te sentisse num eterno não contável.

Como podes ser tão certo quando tudo à minha volta está tão errado? Como podes dar um resultado tão bem calculado quando todas as contas que tenho estão desequilibradas e por recontar? Como podes já me ter dado mais que muitos que se passearam na minha vida por longo tempo? Como pode tudo isto estar a ser real e correspondido? Como? Como podes tu vestir-te por completo do que procuro desde sempre? Onde estavas? A deixar de ser um projecto para agora te apresentares nos meus braços como completo?

Os dias passaram a voar e ainda me sinto a tremer com tudo o que demos mutuamente. As minhas pernas vibram e não consigo deixar de pensar que amanhã irei acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho para me dar mais alento na minha jornada feita auspiciosa neste momento. Fecho os olhos e ignoro tudo! Se um dia acabar, terei tanto por contar, tanto por relembrar, tanto que vou guardar nos meus diários por ter tido a oportunidade de ter sido feliz e de conhecer a verdadeira sensação da paixão! E que me esbofeteiem com palavras ardilosas de que estou a ser impulsivo. Reconheço que o fui no passado e que acabei por me magoar, mas porquê ficar reticente? Para evitar viver? Para me tornar amargo e desiludido? Não vou por aí, prefiro continuar a acreditar que um dia será o meu dia!

E não consigo evitar deixar de ter este sorriso parvo na cara. Deixar de ter saudades tuas quando apenas passaram minutos desde que estivemos juntos. Deixar de sentir o teu odor preso nas minhas narinas, as tuas gargalhadas na minha audição, os teus beijos perfeitos nos meus lábios e em todo o meu corpo. A suavidade da tua pele amaciada nas minhas mãos, o teu jeito único preso na minha visão. Será por te ter aqui que agora encaro os dias de forma diferente? Será que o amor nos muda fazendo com que tudo ganhe uma nova cor? Basta olhar-me ao espelho para perceber que sim... Será por te ter aqui que ainda te quero mais?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Perco-me


Olho o teu retrato nesta noite fria e não consigo deixar de sentir um ardor no peito demasiado feroz para ser suportável. Encaro o teu rosto com coragem e não controlo as lágrimas que vão caindo. Não sei o que me prende ainda ti. Se esta solidão tão vincada que me faz ter saudades do que um dia tivemos, se um sentimento que pensei ter deixado de existir, mas que afinal ainda sobrevive apesar de outros percursos, se algo que somente tu me consegues dar e que eu não encontro em mais ninguém.
Perco-me no vazio que tenho agora nas mãos, nas lembranças que guardo de ti, nos momentos passados, na nossa história que enche todo o meu corpo e que me faz viajar para além do presente. Perco-me nos porquês da vida, nas dúvidas eternas, nos pensamentos de mágoa e tristeza por tudo ter chegado ao fim e de te terem levado para longe de mim.
Não sei se o mais certo é lutar contra a minha vontade ou deixar-me ir numa bravura que desconheço ter ainda em mim. Não sei se é isto que realmente quero ou se será isto que devo fazer. Só queria voltar a ser feliz, contigo a meu lado ou com outro alguém que me conseguisse preencher este vazio que caminha juntamente com a minha sombra! E pergunto-me, se ainda pensas em mim, se ainda te lembras dos meus beijos, se é em mim que tu pensas quando estás nos braços dele. Se também ainda guardas no peito a chama que tivemos acesa um dia. Já apagada?
Suave. A tua pele tão suave. O teu cheiro tóxico e penetrante, demasiado sedutor para conseguir fugir. A tua voz, a tua voz tão reconfortante. O teu sorriso protector. O teu toque... O teu toque tão doce e gentil. E até, o teu silêncio! Sinto falta de tudo! Mesmo do que nunca tivemos e que sonhei um dia poder vir a ter. Não consigo deixar de escapar um pensamento utópico, em que nada disto é real e que o futuro já não se desenha contigo nele. Estarei a sonhar? A imaginar que ainda pode existir uma história para um conto que terminou? Perco-me. Em mim. Em ti. No que fomos.
Fecho o álbum de recordações e encosto a cabeça na almofada. Agora que enxuguei as lágrimas, vou adormecer. Quem sabe amanhã o tempo trará as respostas de que preciso, com a tua presença aqui ao meu lado dizendo-me que não sofro sozinho. E só queria despedir-me de ti num abraço profundo. Numa perdição perdida.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Quero não regressar!


Sinto-me morto!
Sinto-me morto numa inquietude assombrosa.
Sinto-me deslocado desta realidade suja.
Vejo no que me tornei e apesar do resultado ser num todo, surpreendente, o que tenho, magoa-me por ser um saco cheio de nada.
Quero fugir.
Fugir para longe de tudo e todos.
Correr para onde ninguém me conhece e onde as palavras não são repetidas e a esperança não me é mostrada diariamente.
Quero desistir! Mandar-me do primeiro penhasco que vir! Terminar de uma vez por todas com esta depressão desgraçada que não me larga, pegajosa.
Ninguém me conhece verdadeiramente. Todos se ofuscam com esta minha máscara fantástica de supra sumo da fortaleza. Ser indestrutível, cheio de garra, esperançoso, demasiado ridículo para ser verdade. Estou derrotado e cansado do mundo que está à minha volta, que me vê de olhos cegos! Desta família que passa por mim com um sorriso como se nada estivesse a acontecer!
Deixem-me ir.
Deixem-me estar.
Deixem-me!
Não quero mais nada. Cheguei ao final da estrada. Já não há nada que me faça voltar atrás. Já não há nada que valha a pena a minha permanência nesta angústia desesperante! Quero partir com a minha mala de mão e voltar nunca mais. Quero ir à aventura, descobrir novos lugares, novas que me façam desejar estar vivo.
Quero sair daqui.
Quero ir.
Quero não regressar!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Esta noite...

Esta noite.
De longe, assisto à minha personagem desempenhar o papel que lhe foi atribuído. Sentado na cadeira da mesa de jantar, visualizo o corpo deitado no sofá, que assiste televisão de forma a esquecer a vida que deixou de ter. Vazio, liberto, solto. Em mais uma noite, deixa de pensar, de sentir, de ser, entrando num mundo fictício de histórias cruzadas, de mundos retirados da realidade, pincelados no grande ecrã. Ri, chora, emociona-se. Encontra nos enredos criados por terceiros as emoções que deixou de ter na sua própria vida, na sua própria verdade.
Esta noite, quero ajudá-lo. Quero gritar para que tome uma atitude, para que mude, para que tente. Quero abana-lo para lhe dar vida! Quero estremecer o chão que pisa criando uma onda de ocupação, originando uma nova história própria, longe das novelas que vê todas as noites. Quero escrever um guião e dar-lhe-o para que o represente como só ele consegue, perfeitamente. Só ele sabe actuar de forma a exceder as expectativas deste papel. Mas com tristeza, este corpo encara-me de frente questionando, como queres que o faça? Baixa o olhar e soluça num choro perdido, já tentei a exaustão.
Esta noite!
Com raiva parto a loiça que se encontra em cima da mesa! Sinto uma revolta agonizante por me sentir impotente, por não ser mágico, por estar paralisado. Apesar desta força que possuo, não consigo criar nada para o corpo que vejo ali, desprotegido, frágil, só. Sei que a máscara de pilar indestrutível que usa, que é facultada por mim, espírito forte, agora distanciado do seu próprio corpo. Mas não será hora de o verem na sua verdadeira essência? No seu mais profundo receio de se mostrar? De perceberem que afinal é mais fraco do que julgam e que chegou ao fim da linha da esperança? Será a cegueira ao largo de um ser humano assim tão espantosamente sumida, que ninguém tem o discernimento de reparar no entulho de outro alguém?
Esta noite levantar-me-ei e abraça-lo-ei. Esta noite não quero que se volte a sentir despido. Vou protegê-lo, agarra-lo com determinação e suavemente sussurrar-lhe ao ouvido, que não está sozinho! Vou acariciar a sua pele suave, por vezes ainda de criança, e oferecer-lhe o carinho de que sente falta. Vou tomá-lo nos meus braços e num bafejo eterno, adormecê-lo pacificamente num sono de embalar.
Esta noite...
Não terá medo, não terá nada para além dele próprio. Estará em paz consigo mesmo, sonhando sonhos que pensou perdidos, numa tranquilidade passada e julgada extinta! Será suficiente e não deixará que os pesadelos o atormentem novamente. Verá o nascer-do-sol com alegria e a última lágrima que cair irá transformar-se num sopro de fé que o assombrará num tempo indefinido. Aí, encontrará a luz de que precisa, a esperança que é necessária para não desistir. Esta noite, ele irá recarregar as energias e respirar fundo.

Esta noite...